Boas ou ruins, candidatos apresentam propostas para Goiânia

De uma coisa, o eleitor goianiense não pode reclamar. Todos os oito candidatos à prefeitura da capital tem, em seus planos de governo, a solução para os maiores problemas da cidade. Ou, pelo menos, eles garantem que tem. E segundo os próprios postulantes deixam a entender, acabar com as principais demandas da população parece bem simples.

No entanto, na prática, o eleitor, que não é bobo, sabe que não é bem assim. Os prefeitáveis prometem resolver tudo o que há para ser resolvido, e até o que não precisa, pois é justamente isso que eles têm que fazer. As defesas que eles fazem em entrevistas e nos programas eleitorais no Rádio e TV, muitas vezes, beiram até o absurdo.

José Netho, que é candidato pelo novo Partido da Pátria Livre (PPL) promete resolver o problema do trânsito de Goiânia com uma ideia não tão inovadora quanto parece. Ele sugere a construção de um “aeromóvel”, que seria similar ao “aerotrem” proposto diversas vezes pelo folclórico e eterno candidato à presidência pelo PRTB, Levy Fidelix, que, agora, disputa a prefeitura de São Paulo.

José Netho, que é candidato pelo novo Partido da Pátria Livre (PPL) promete resolver o problema do trânsito de Goiânia com uma ideia não tão inovadora quanto parece

Extinção das Câmaras

Candidato pelo PSTU, o “trotskista e leninista”, como ele mesmo se define, Rubens Donizzeti, prega, entre outras coisas, a extinção das câmaras municipais que, segundo ele, não tem função.  É fato que muitos vereadores desconhecem o próprio papel: propor leis e fiscalizar o executivo. No entanto, se falham nisso, ainda cumprem uma função “regionalizada” importante. São os políticos mais próximos do cidadão comum. É difícil crer que o gabinete de um prefeito – ou de secretários – esteja aberto para receber cidadãos de todos os bairros sem essa interlocução.

Isaura Lemos (PCdoB) e Reinaldo Pantaleão (PSOL) convergem em muitas propostas. Defendem, por exemplo, o controle do transporte público nas mãos da prefeitura. Resta saber se comprariam a briga com os empresários que hoje atuam no setor e se a administração municipal teria condições de manter o funcionamento do sistema e de investir nele. É bom lembrar também que as decisões do transporte público na grande Goiânia cabem à Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC). A prefeitura da capital não tem autonomia para uma intervenção desta ordem.

Mirabolantes

Elias Júnior, do PMN, peca não pelas propostas mirabolantes, mas, sobretudo, pela ausência de soluções claras. Diz que vai resolver o problema da saúde, da educação, do trânsito, que vai asfaltar. Profissional da comunicação que é, mostra segurança ao prometer. Mas, não diz o mais importante: Como vai fazer.

Paulo Garcia (PT), Jovair Arantes (PTB) e Simeyzon Silveira (PSC) apresentam as propostas mais “palpáveis” à população, embora ainda prometam demais, o que é natural. Até porque, talvez o eleitor ainda não esteja preparado para ouvir do seu candidato que muitos problemas vão demorar décadas para serem solucionados, se houver planejamento contínuo para isso.

Jovair, por exemplo, quer criar programas como o “Anjos do Bairro” e o “Vapt-Vupt” da Saúde. Paulo Garcia também entende o discurso do cidadão e promete dois hospitais de atendimento à mulher, além de zerar o déficit de vagas nos Centros de Educação Infantil (Cmeis). A maternidade e Hospital da Mulher Dona Íris, que hoje atende as mulheres da capital, foi fechada em março de 2008, inicialmente para reforma. Depois, foi demolida e entregue à população só em junho deste ano. Custou cerca de R$ 32 milhões aos cofres do município e ainda contou R$ 9 milhões do governo federal para equipamentos. Em quatro anos, dá pra se construir duas, com a mesma proposta de serviço?

Subprefeituras

Simeyzon, assim como Jovair, quer a regionalização dos serviços municipais com a criação de subprefeituras. É fato que Goiânia é uma grande metrópole que precisa descentralizar os serviços. No entanto, este é um assunto delicado, que vai contrariar os interesses dos vereadores que tem, nos bairros, suas bases eleitorais. Se sair do papel, bom pra população.