Cabo de chicote na imagem rubro-negra

Errar faz parte da natureza humana, ninguém pode esquecer, mas o tamanho do constrangimento é imensurável

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Caso Marcelo Cabo

Ádson Batista, diretor de futebol do Atlético | Foto: Atlético GO

Diretor de futebol e vice-presidente executivo do Atlético Goianiense, Adson Batista declarou na manhã de hoje que os dirigentes iriam avaliar os estragos causados no clube a partir do desaparecimento boêmio de 35 horas do técnico Marcelo Cabo. Errar faz parte da natureza humana, ninguém pode esquecer, mas o tamanho do constrangimento é imensurável. O deslize de um profissional competente em sua vida privada transformou o “clube da família” em alvo de todos os tipos de comentários na grande imprensa e nas redes sociais.

Sem mais delongas, confira a sucessão de erros que transformou uma corriqueira aventura etílico-sexual num episódio de repercussão internacional:

Marcelo Cabo – protagonista da falta de razão ao se lançar na noite, já embriagado, sem medir as consequências. Teve 24 horas, no mínimo, para recorrer a um ombro amigo que lhe ajudasse a retomar a consciência dos fatos. Preferiu voltar no dia seguinte ao seu apartamento, no Jardim Goiás, recolher pertences e retornar ao Eros Motel. Sem pré-julgamento dos motivos para tamanha excitação, abusou da sorte;

Atlético/GO – clube causou demasiado alarde no início das investigações. Escalou representante para entrevistas com detalhes minuciosos, desencadeando o costumeiro desencontro com a investigação da Polícia Civil. Qualquer leigo perceberia que a confraternização com membros da comissão técnica na madrugada de sábado e o carro estacionado em frente ao prédio sinalizavam, na gíria popular, “sequência de balada”;

Imprensa – repórteres e comentaristas se esforçaram em destacar natureza pacata, educada e religiosa de Marcelo Cabo como garantia de que algo grave tivesse acontecido com o treinador. Se recusaram a admitir a possibilidade de falha pessoal, motivada por fatores de toda ordem. Ninguém, afinal, tem controle absoluto sobre os seus atos.

PM x PC – Já torrou a paciência essa “guerrinha” entre as Polícias Civil e Militar sobre qual delas demonstra maior eficiência na solução dos casos de grande repercussão pública. Marcelo Cabo, na tarde de segunda-feira, era literalmente um troféu a ser recuperado a qualquer custo, fato bastante lembrado pela Polícia Militar no início da entrevista coletiva de hoje. Os oficiais, afinal, colheram os louros tão esperados.

A iminente demissão do técnico Marcelo Cabo pode ser debitada na categoria “acidentes de percurso”. Eles não escolhem protagonista.

Algumas memes que circulam na internet sobre o ocorrido:  

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