Guarda Municipal à procura de identidade própria

Dezenas de furtos registrados todo mês em prédios públicos são o maior exemplo de onde está a prioridade

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Guarda Municipal à procura de identidade própria | Foto: Cecílio Alves

Guarda Municipal à procura de identidade própria | Foto: Cecílio Alves

Uma imagem ficou guardada em minha memória. Dois dias antes da reinauguração do novo Parque Mutirama, em 2012, uma viatura da Guarda Municipal surgiu no local e, sem a menor cerimônia, “passeou” sobre a passarela de madeira recém-construída. Imitando a postura da Polícia Militar, os agentes fecharam o semblante e ignoraram os pedidos para retirada do veículo. Naquela época eles sequer podiam portar arma e nem tinham a autorização do Superior Tribunal Federal (STF) para lavrar multa de trânsito, mas o espírito já era de atuação preventiva, a principal missão policial. Ajustando o verbo: a Guarda Municipal já se achava.

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Dever de casa necessário

Cinco anos depois e com avanços consolidados, os agentes em Goiânia torcem o nariz quando são questionados sobre o papel de vigilância dos prédios públicos, principalmente escolas e unidades de saúde. É como se essa tarefa não fizesse mais parte das atribuições da Guarda Municipal, que hoje prefere bater boca com a Secretaria Municipal de Trânsito para obter a prerrogativa de multar motoristas na capital. O que ninguém consegue enxergar é que não se corrige falhas gritantes na estrutura de fiscalização da SMT simplesmente ampliando a mesma função a outros órgãos. Cada qual deveria estar fazendo o seu dever de casa na proporção dos impostos pagos pelo contribuinte.

Guarda Municipal à procura de identidade própria | Foto: Cecílio Alves

Guarda Municipal à procura de identidade própria | Foto: Cecílio Alves

Papel quase desprezível

A Guarda Municipal, inegavelmente, presta relevante contribuição à sociedade e ainda tem muito a crescer. Porém jamais deve ignorar os princípios básicos de sua existência, mesmo que eles não proporcionem a visibilidade tão almejada. Nenhum representante do órgão reclama do trabalho preventivo nas ruas, praças, parques e eventos públicos. Eis uma tarefa que resulta em mídia e maior reconhecimento por parte da população. Já a vigilância em instalações municipais é tratada como papel pequeno, quase desprezível diante da grandeza do órgão.

E não é bem assim. Dezenas de furtos registrados todo mês em escolas, Cmeis e unidades de saúde, provocando enormes prejuízos financeiros à Prefeitura de Goiânia e terror entre alunos e professores, são o maior exemplo de qual área está merecendo maior atenção da Guarda Municipal no momento. Questão de comando e prioridade, nada mais além disso.

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