Marginal no pé de Iris Rezende

Prefeito pode ter sua administração manchada se empurrar a reestruturação da via com a barriga

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Marginal Botafogo é um barril de pólvora prestes a explodir | Foto: Reprodução

Marginal Botafogo é um barril de pólvora prestes a explodir | Foto: Reprodução

A Marginal Botafogo é um barril de pólvora prestes a explodir. E isso pode acontecer no colo do prefeito Iris Rezende caso ele não mude a sua concepção sobre o problema. Chega de recuperações pontuais na estrutura física da via e discussão atrasada a respeito da instalação de  fotossensores. Tais medidas são corriqueiras, sem necessidade de alarde. O foco principal se concentra nas dezenas de infiltrações. Na linguagem popular, a marginal está oca, vulnerável a qualquer período chuvoso de intensidade moderada. Conforme já avaliou o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-GO), a situação é delicada e requer prioridade do poder público.

Tive a oportunidade de cobrir a inauguração do primeiro trecho da Marginal Botafogo, em 1992, no final do mandato do então prefeito Nion Albernaz. Depois voltei dezenas de vezes ao local nas gestões de Pedro Wilson,  Iris Rezende e Paulo Garcia. O noticiário relacionado à via de velocidade rápida, que liga as regiões sul e norte, sempre contrastou tragédias com anúncios de prolongamentos obtidos com verbas federais. Ministros da União passearam bastante na marginal, entretanto o avanço concreto ficou aquém do esperado. O interesse pela extensão do trecho acabou por sufocar a necessidade de manutenção, comprometendo a capacidade de escoamento das águas da chuva.

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Obras de redimensionamento da captação de água no local deveriam ter sido feitas e não foram. Iris Rezende, no passado, já realizou intervenções complexas em regiões de tráfego intenso como na Praça do Ratinho e na esquina das avenidas 85 e T-63. Ambas deram grande visibilidade e prestígio ao tocador de obras. No caso da Marginal Botafogo, o retorno será praticamente zero do ponto de vista político. Basicamente um conserto da omissão verificada em quatro administrações. Resumindo: questão de utilidade pública. Certa vez Iris admitiu seu incômodo em pronunciar  o termo “marginal” para uma via de tráfego intenso. Chegou o momento do prefeito se incomodar, pra valer, com as tragédias que ainda podem ocorrer na “Avenida” Botafogo.

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