No Dia do Jornalista, o desafio é não desafiar

Se houver coerência na argumentação, o que menos importa é a reação contrária, barulhenta ou silenciosa

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Sete de abril, Dia do Jornalista | Foto: Reprodução

Sete de abril, Dia do Jornalista | Foto: Reprodução

Profissionais de comunicação em geral têm utilizado com frequência a expressão “eu desafio beltrano a provar que estou mentindo” ou “desafio ciclano para um cara a cara no estúdio” sobre determinado assunto. Nada mais arcaico. Tenho birra destas manifestações desde quando acompanhava programas e debates políticos nas décadas de 1980 e 1990. Com raras exceções, a discussão funcionava apenas como jogo de cena para iludir o eleitorado. Ou para sugerir quem metia mais medo no adversário.

Direito à manifestação

Uma pena observar que jornalistas usam e abusam do mesmo artifício no momento em que as redes sociais estão aí para agilizar o debate. O espaço está permanentemente aberto para discordar da opinião e criticar a omissão, seja da pessoa pública ou do internauta que deixa o anonimato por alguns segundos. Ninguém é obrigado a polemizar, mas precisa respeitar o direito à manifestação. O desafio mais amplo de um profissional de comunicação é o seu argumento. Se houver coerência pouco importa a reação contrária, barulhenta ou silenciosa.

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Dedo nas feridas da Globo 

A Rede Globo tem caminhado no fio da navalha desde a confirmação do assédio sexual praticado pelo ator José Mayer contra a figurinista Susllem Tonani. A emissora tentou, inicialmente, colocar panos quentes no caso para depois condenar e suspender o galã assumidamente machista. A enorme repercussão, entretanto, está estimulando outros profissionais a remexerem no passado sombrio da Globo no quesito “Poder & Sexo”. A atriz Lady Francisco, 77, reafirmou ter sido estuprada há 50 anos por um diretor que continua trabalhando na emissora.

Relatos escabrosos

Episódios como a revelação da ex-miss Brasil e símbolo sexual Vera Fischer sobre o “teste do sofá” – promessa de contratação em troca de relação sexual – estão fervilhando nos bastidores da emissora. A cúpula global divide preocupação com eventuais revelações de assédios comprovados de diretores, alguns já falecidos, contra atrizes renomadas nas décadas de 1970 e 1980, além de casos ocorridos nos últimos 20 anos envolvendo o universo gay. Jovens revelações do teatro e da propaganda se ofereciam abertamente para escalação em novelas e seriados. Há relatos escabrosos que causariam abalo sem precedentes na imagem da emissora.

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