O legado de Tiradentes

Poucos sabem a verdade sobre a Inconfidência Mineira, movimento do qual fez parte Tiradentes

Tiradentes foi enforcado e esquartejado em praça pública, no dia 21 de abril de 1792, pela participação na Inconfidência Mineira | Foto: Ilustração

Tiradentes foi enforcado e esquartejado em praça pública, no dia 21 de abril de 1792, pela participação na Inconfidência Mineira | Foto: Ilustração

Na última sexta-feira, dia 21 de abril, foi celebrado mais uma vez o Dia de Tiradentes. Ele foi enforcado e esquartejado em praça pública, no dia 21 de abril de 1792, pela participação na Inconfidência Mineira, movimento que tentou tornar o Brasil independente de Portugal.

A Inconfidência tem característica pouco explorada pelos historiadores. A maioria dos inconfidentes era dona das grandes minas de ouro e diamante – quase todos portugueses e ricos. A rebeldia contra a coroa portuguesa não se deu por desejo de dar ao Brasil a liberdade política/administrativa, mas por discordância com os altíssimos valores dos impostos sobre o mineral explorado, sobretudo o Quinto, que foi a decretação de que um quinto da produção deveria ser entregue obrigatoriamente à coroa.

Tiradentes foi exceção dentro do movimento. Era alferes (militar de baixa patente) e trabalhava também como arrancador de dentes (daí o nome de Tiradentes). Era brasileiro, nascido em São João Del Rei (MG) e pobre. Tiradentes foi criado pelo padrinho. Seus pais, Domingos da Silva e Antônia da Encarnação Xavier morreram quando ele era criança – a mãe quando Tiradentes tinha 9 anos e o pai quando ele tinha 11. Como hábito da época os órfãos foram entregues para os padrinhos criarem. O padrinho de Tiradentes era Sebastião Ferreira Leitão, um cirurgião português, que ensinou ao afilhado o ofício de arrancar dentes.

LEIA MAIS: Mutirão de voluntários da Unifan atende mais de 5 mil em Aparecida

Brasileiro e pobre, Tiradentes entrou na Inconfidência sonhando ver a pátria livre e pregava a oferta de escolaridade para a população – na época uns poucos privilegiados tinham esse acesso (ele foi um desses, dois irmãos mais velhos que foram padres e o padrinho o ensinaram a ler – o padrinho disponibilizou livros para que pudesse estudar). Graças aos estudos, sabia que o Brasil era um país rico e defendia a tese que se a riqueza brasileira ficasse toda aqui, o Brasil se transformaria em uma grande nação.

Professor Alcides continuará nos bastidores do futebol goiano | Foto: Guilherme Coelho/Folha Z

Diretor geral da Unifan, Professor Alcides | Foto: Guilherme Coelho/Folha Z

Brasileiro (com poucas posses), sonhador e politizado Tiradentes acabou como único dos inconfidentes punido com dureza pelos portugueses. Ficou três anos aguardando julgamento, enquanto os portugueses ricos que participaram da Inconfidência foram deportados para outras colônias portuguesas. Alguns historiadores relatam que ele poderia ter o mesmo fim, desde que reconhecesse publicamente a necessidade para o Brasil de continuar como colônia – nesse caso preferiu a morte.

O legado de Tiradentes vai além da piedade contra as atrocidades sofridas por ele. Foi enforcado, esquartejado e teve as partes do corpo distribuídas pelas ruas de Ouro Preto. O legado exige compromisso com as necessidades nacionais, sustentando o idealismo. Agora mesmo o País convive com denúncias graves contra vários políticos, através da Operação Lava Jato, comandada pelo juiz Sérgio Moro. O grande estadista inglês Winston Churchill disse que “a mentira é um manto esfarrapado e curto, que não consegue jamais esconder a verdade. A mentira é como uma baforada de fumo que se desmancha no ar”. Sendo assim precisamos ficar do lado da verdade nos posicionando do lado das investigações, para que inocentes sejam inocentados, culpados sejam punidos e o Brasil fique livre daqueles que roubam os cofres públicos evitando o crescimento nacional sonhado por Tiradentes.

(O Professor Alcides é empresário, político e educador na cidade de Aparecida de Goiânia)

Acompanhe o Folha Z no Facebook, Instagram e Twitter