Erros e acertos de quem malha


Não basta apenas se matricular na academia e começar a malhação para que o objetivo que você busca seja cumprido, seja ele estético, preventivo ou terapêutico. É preciso seguir as orientações dos profissionais de educação física para que a prática de exercícios seja realizada de forma correta e saudável e desta forma gere resultados.

Quando o objetivo do aluno é perder peso, a professora de educação física da academia Forma Fitness, Kênia de Sousa, diz que muitos alunos acham que apenas a prática de exercícios é suficiente para emagrecer e a alimentação acaba sendo feita de forma errada. “Não basta fazer os exercícios direito e depois comer um monte de besteiras. A nutrição é responsável por cerca de 60% do resultado da perda de peso. Junto à prática de exercícios é preciso seguir uma dieta adequada”, explica.

Segundo Kênia, a maioria das pessoas não sabe se alimentar corretamente, e por isso ela sugere a quem estiver mesmo determinado a perder peso que procure um nutricionista ou médico especializado. “Muita gente até se esforça para seguir um regime, mas acaba fazendo de forma errada por não entender como os alimentos atuam no organismo”, destaca.

Em relação à atividade física, Kênia esclarece que não pode ocorrer adaptação do corpo a um certo tipo de exercício. “Quando ocorre a adaptação a uma certa atividade é preciso gerar mudança, o que irá causar estímulo para o corpo sair da monotonia”. Quem pretende perder peso, conforme a professora, não pode manter por muito tempo a mesma rotina de exercícios, é preciso variar. “O correto é combinar o treinamento aeróbico com a musculação”, frisa.

Outro grande erro cometido por quem quer perder peso é achar que musculação não é utilizada para emagrecer, e que serve apenas para obtenção de massa muscular. “A musculação é um dos treinamentos que mais proporciona o gasto de energia”, informa. O treinamento muscular promove mudanças no corpo que vão gerar aumento do gasto energético. Ele proporciona, por exemplo, o aumento das fibras e o desgaste da musculatura, e para que o corpo tenha condições de fazer isso ele precisará queimar gordura e açúcar.

Kênia alerta que alunos que deixam de frequentar a academia por mais de três meses e que resolvem voltar devem passar por uma adaptação de no mínimo uma semana. “Neste período em que ficou parado o corpo perdeu o estímulo. A musculatura fica mais fraca e perde flexibilidade. Por isso quem resolve voltar tem que passar pela fase de adaptação e não recomeçar de onde parou”, ressalta.

Qualidade de vida

Assim que o aluno ingressa na academia ele precisa preencher um questionário chamado de anamnésia, onde serão recolhidas informações básicas sobre saúde, objetivos e restrições, o que irá ajudar no planejamento. O segundo passo é realização da avaliação física do aluno, que reunirá dados como peso, altura, porcentagem de gordura e análise postural. Por último, o profissional de educação física irá montar, com base em todas essas informações, a tabela de padronização do treinamento, que trará especificado todos os exercícios que deverão ser feitos pelo aluno.

O tempo ideal de treinamento, segundo Kênia, é manter os exercícios por pelo menos uma hora por dia, três vezes na semana. “Seguir os exercícios indicados pelo profissional corretamente e manter a frequência é importante tanto para o alcance do objetivo quanto para a manutenção da qualidade de vida, já que a atividade física estimula a liberação de hormônios que causam a sensação de bem-estar”, acentua.

Problemas

Outro erro muito comum cometido por alunos de academia é a não aceitação do acompanhamento do profissional de educação física na hora da realização dos exercícios. “Muitos alunos, por malharem há muito tempo não permitem que o professor corrija ou altere seu treinamento , o que pode ser maléfico, já que o aluno pode começar a fazer a atividade de forma errada gerando lesões e causando estagnação do corpo”, explica.

Kênia também aponta a questão do uso de esteróides (anabolizantes) pelos alunos como outro problema existente nas academias. “Muita gente que faz musculação faz uso desses anabolizantes para aumentar volume e ganhar força. É importante alertar essas pessoas para os efeitos colaterais dos esteróides que englobam o aumento da agressividade, formação de acne e impotência sexual”, enfatiza.

O exagero da prática de exercícios também é um problema. De acordo com Kênia o vício por atividade física causa o que os profissionais de educação física chamam de overtraining, ou seja, a atividade não gera mais mudanças no corpo que não consegue responder aos estímulos. A pessoa também pode gerar lesões musculares, além de desgaste físico.

(Camila Bluemenschein)