Escolhas, por Divino Alves

Branco ou preto?
Yin ou Yang?
Frio ou calor?
Falar ou calar?
Será que de fato sou livre para fazer minhas escolhas?
Eu não sei …
Você o é?
Tudo o que faço, tudo o que sou é livre arbítrio ou resultado de reações neuroquímicas que ocorrem no meu cérebro?

Eu não sei…
Você sabe?
Não consigo crer que as escolhas que faço sejam como elos de uma corrente em uma engrenagem, regidos de forma estanque pelas leis da física…

Se assim o for, em que vazio se encontra o homem que pensei ser? Onde fica a minha subjetividade? Onde se encontra…
O homem-matéria?
O homem-pensamento?
O homem-sentimento?
O homem-verbo?

Será que sou apenas o resultado das somas de minhas decisões, ou é o destino no jogo da vida que embaralha as cartas?
Tudo é dual?
Tudo é escolha?
Ou tudo é fatum?

Eu não sei…
Você sabe?
Dúvidas e incertezas permeiam meu pensamento…
Não imagino ser aceitável que Moiras estejam a tecer e cortar os fios de minha vida na roda da fortuna…
Entretanto, será que de fato sou Senhor das Minhas Opções?

Eu não sei…
Você sabe?
Sei que nos meus delírios, me desfaço me edifico e me renovo num mundo de ideias, de signos e significados, que construo internamente diante das experiências vividas, das relações de amor e ódio que cultuo com o mundo e comigo mesmo…

Sei que dia a dia enfrentando minhas angústias e meus medos, me reinvento e nessa construção interna daquilo que serei amanhã, tenho a síntese das minhas decisões…
Sei também que, citando Guimarães Rosa, “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam”.

Assim, minhas escolhas, ações e omissões não seriam também reflexo dos meus delírios, da minha subjetividade?
Eu não sei…
Você sabe?

Divino Alves (foto) é tenente coronel da Polícia Militar do Estado de Goiás

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