Moradores reclamam da poluição sonora

Moradores reclamam da poluição sonora provocada pela academia

Com a proliferação das academias de ginástica nas áreas residenciais, as regras para a boa convivência entre moradores e estabelecimentos de instrução para práticas desportistas, sejam elas previstas em lei ou de acordo com o bom senso, nunca foram tão necessárias. Mas os limites entre o prazer de um grupo e o bem-estar de outro nem sempre são respeitados.

No Setor Nova Suíça, por exemplo, moradores que residem nos fundos da Academia Corpo Brasil reclamam da poluição sonora provocada pela difusão e a duração do som alto. “Constantemente solicito para baixar o som. A direção da academia sempre atende a nossa reivindicação”, declara Jordana Prado, ressaltando que hoje o problema principal não é a altura do som e sim a constância.

A academia funciona de segunda a sábado. Durante a semana, o som fica ligado das 6 às 22 horas e no sábado das 6 ao meio dia. Moradores se queixam que são obrigados a ouvirem a música o dia inteiro.

O Folha Z entrevistou um médico otorrinolaringologista que malha na academia. Ele pediu para que seu nome não fosse citado na matéria. “A poluição sonora ininterrupta, independente da intensidade do som, pode, em algumas pessoas, gerar malefícios à saúde que vão além de perdas auditivas, podendo ocasionar dores de cabeça, irritabilidade, estresse e sensação de cansaço”, afirmou o médico.

Gestora

Keliane dos Santos, gestora da academia, esclareceu que todas as salas de ginástica possuem acústica. Entretanto, moradores se queixam do som ambiente. Com relação a esse ruído, Keliane disse que o som provocado pela música é um dos principais fatores motivacionais do aluno. “As músicas contribuem para o aumento do desempenho e diminuição do cansaço, isso é comprovado cientificamente”, declarou ela.

Jéssica Prado, irmã de Jordana, disse que ela e seus familiares moram no setor Nova Suíça há 20 anos. “A gente não quer confusão e sim solução para o problema” salientou Jéssica. Maria Inácio Carneiro, 85 anos, avó de Jéssica e Jordana, alega que desde que a academia começou funcionar, há 5 anos, ela ficou mais estressada. “Fico praticamente o dia inteiro em casa. Acordo ouvindo música e só quando acaba os ruídos provocados pela academia consigo dormir tranquilamente”, assegurou Maria Inácio, esclarecendo que seu otorrino acredita que ela teve a audição prejudica pela constância do som.

“Nosso objetivo não é causar atrito. O ruído do som não intencional. É impossível existir uma academia sem música no horário de funcionamento. A AMMA – Agência Municipal do Meio Ambiente – já esteve aqui e constatou que a intensidade do barulho segue os parâmetros exigidos pela lei”, afirmou Keliane, reconhecendo que o problema não é a intensidade e sim a duração do som.