Cinco crimes que chocaram Goiânia

Relembre histórias de violência, dor e sofrimento que ganharam as principais páginas policiais do país

Como toda grande cidade, Goiânia teve ao longo dos seus 83 anos de existência várias histórias de superação, solidariedade e sucesso. Porém, casos de violência e dor marcaram a vida dos goianienses e estarão para sempre na memória coletiva da metrópole.

O Folha Z selecionou alguns desses crimes que chocaram Goiânia, para que o passado da cidade não seja esquecido e para que o futuro possa ser melhorado.

Wellington Camargo ficou em cativeiro por mais de três meses até ser libertado pelos sequestradores | Foto: Ed Ferreira/AE/VEJA

Wellington Camargo ficou em cativeiro por mais de três meses até ser libertado pelos sequestradores | Foto: Ed Ferreira/AE/VEJA

Sequestro do irmão de Zezé e Luciano (1998)

Cadeirante e cantor gospel, o irmão de Zezé e Luciano Wellington Camargo ficou 94 dias em cativeiro após ser sequestrado em sua casa no Jardim Europa por quatro homens armados no dia 16 de dezembro.

Ele passou os três meses em uma chácara a 77 km de Goiânia.

Os sequestradores chegaram a enviar a uma emissora de televisão um pedaço da orelha de Wellington e um bilhete, pedindo US$ 300 mil de resgate.

Exames confirmaram que a orelha era mesmo da vítima e o valor foi pago.

No dia seguinte, Wellington foi deixado pelos sequestradores dentro de um buraco numa região entre Goiânia e Guapó. Dias depois, dez pessoas foram presas por envolvimento no crime. Apontado como o homem que cortou a orelha de Wellington no cativeiro, Osmar Martins foi assassinado na Penitenciária da Papuda, em Brasília, em setembro de 2000.

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Lucélia Rodrigues casou-se e diz não guardar mágoas | Foto: Reprodução

Lucélia Rodrigues casou-se e diz não guardar mágoas | Foto: Reprodução

Lucélia: a menina torturada (2008)

Uma denúncia anônima levou a polícia à menina Lucélia da Silva em março de 2008, então com 12 anos, que foi encontrada acorrentada em uma escada, amordaçada e ferida.

Ela estava no apartamento da empresária Silvia Calabresi, no Setor Marista.

Ela criava a jovem com autorização da mãe biológica e a feria com alicate nos dedos das mãos e dos pés, na língua e no corpo. A mulher também apertava os dedos da criança em portas e a queimava com ferro de passar roupa.

Entre os crimes que chocaram Goiânia, esse foi um dos mais impressionantes.

Sílvia e sua empregada, Vanice Novais, foram presas e condenadas a 14 e sete anos de prisão, respectivamente. Em 2014, porém, conseguiu o benefício de progressão de pena e foi transferida para o regime semiaberto.

Já Lucélia continuou os estudos e almeja ser delegada. Em 2015, casou-se e diz ter perdoado Sílvia.

Valério Luiz foi alvejado assim que saía do trabalho | Foto: Reprodução

Valério Luiz foi alvejado assim que saía do trabalho | Foto: Reprodução

Valério Luiz: executado (2012)

Uma caminhada realizada em Goiânia no dia 5 de julho do ano passado relembrou os quatro anos do assassinato do jornalista e cronista esportivo Valério Luiz.

Ele foi alvejado por vários tiros na porta da Rádio Bandeirantes 820, no Setor Serrinha, local em que trabalhava.

O cartorário Maurício Sampaio e outras quatro pessoas foram acusados pelo crime. “A depender da consistência das provas, eu não tenho dúvida de que eles devem ser condenados pelo júri quando o julgamento acontecer”, defende o filho do jornalista, Valério Luiz Filho. Maurício, no entanto, segue em liberdade e ocupa a cadeira de presidente do Atlético Goianiense.

Vítima de latrocínio no Setor Nova Suíça, em Goiânia, morte de Michelle Muniz é um dos crimes que chocaram goiânia | Foto: Arquivo Pessoal

Vítima de latrocínio no Setor Nova Suíça, em Goiânia, morte de Michelle Muniz é um dos crimes que chocaram goiânia | Foto: Arquivo Pessoal

Filha de deputado assassinada na T-63 (2012)

Filha do ex-deputado Luiz do Carmo (MDB-GO), Michelle Muniz foi assassinada em frente a uma distribuidora de bebidas na Avenida T-63, no Setor Nova Suíça.

Cinco homens foram condenados por participação no crime. Por ter emprestado a arma usada na ação, Michel Castro de Jesus teve pena de 3 anos e 6 meses de reclusão, substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de dois salários mínimos a entidade filantrópica

Já os outros quatro envolvidos diretamente na tentativa de assalto foram condenados por latrocínio – rouba seguido de morte -, mesmo não tendo levado o carro.

Johnatan Rosa de Souza, autor do disparo que vitimou Michelle, pegou 27 anos e 6 meses de prisão em regime fechado.

Diogo Souza Pinheiro recebeu condenação de 23 anos e 6 meses de reclusão; Luan Henrique Silva Neto e Wesley Veríssimo dos Santos, a 24 anos de prisão.

Professora de matemática confessou ter matado a filha recém-nascida |Foto: Divulgação/Polícia Civil

Professora de matemática confessou ter matado a filha recém-nascida |Foto: Divulgação/Polícia Civil

Mulher mata filha recém-nascida e guarda restos mortais (2016)

A professora de matemática Márcia Zaccarelli Bersoneti, de 37 anos, confessou em agosto do ano passado ter matado por asfixia a filha recém-nascida.

O caso foi descoberto quando o ex-marido da mulher foi ao apartamento na Rua T-62 com a Rua T-38, no Setor Bueno, e encontrou uma caixa com os restos mortais do bebê em escaninho na garagem do prédio.

Em vídeo divulgado pela Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), Márcia confessou o crime e contou como agiu assim que saiu do hospital após o parto. “Fiquei andando, sem saber o que fazer. Falei para a minha filha que não ia dar ela para ninguém. Fiquei com medo. Receio da minha filha mais velha ter uma enorme decepção comigo. Sou uma excelente mãe”, declarou.

A delegada Ana Cláudia Stoffel, descartou a hipótese depressão pós-parto: “Foi premeditado porque ela não fez pré-natal, não fez enxoval e foi com a roupa do corpo para o hospital.”

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