Ônibus 263: atraso e superlotação geram protestos de estudantes da UFG

Situação de passageiros espremidos, pontos lotados e sofrimento é a mesma há anos, relatam ex-alunos

Estudantes da UFG reclamam de atrasos e superlotação da linha de ônibus 263 | Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Estudantes da UFG reclamam de atrasos e superlotação da linha de ônibus 263 | Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Por Pedro Lopes

Ônibus lotados, pessoas prensadas, contingente insuficiente e indivíduos apinhados nos pontos de espera. Estas são as principais queixas registradas pelos usuários das linhas que vão para o Campus II da Universidade Federal de Goiás, na Vila Itatiaia, a 9 km do centro de Goiânia.

Dentre as nove linhas que passam pelo campus, a do ônibus 263 (Terminal da Bíblia / PC Campus), muito utilizada pela comunidade acadêmica, é a que mais acumula reclamações.

Um vídeo postado no YouTube por usuários revoltados com a situação mostra uma cena cotidiana vivida pelos passageiros da linha. Confira abaixo.

A superlotação e o atraso são as mais recorrentes, como relata a estudante de Artes Cênicas da UFG Diéssika Lima, que há um ano usa a linha no período da tarde.

“Acontece muito de eu chegar no Terminal Praça da Bíblia e o ponto estar vazio, passam vários minutos a ponto de, quando finalmente o ônibus chega, sair com gente espremida na porta”, relatou a estudante.

Para Jaqueline santos, que cursa o 5° período de Ciências Sociais e há 2 anos usa a linha 263, “não há ônibus suficientes para a quantidade de pessoas que embarcam na linha e os atrasos são constantes”.

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“Já aconteceu de o 263 atrasar, eu ter que pegar o último ônibus do dia e chegar muito tarde em casa, pois moro longe”, lamentou.

De acordo com informações da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), em dias úteis, a linha conta com um significativo fluxo partindo do campus: entre as 8h e 12h, prevê-se um coletivo a cada período de 5 a 10 minutos; entre as 12h e 14h, varia de 15 a 19 minutos; já a partir das 14h até as 19h, conta-se com um ônibus a cada 16 minutos.

A RMTC alerta, no entanto, que os horários estão sujeitos a modificação sem aviso prévio.

O Folha Z entrou em contato com a assessoria do órgão questionando o serviço prestado, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Agrônomo Pablo Lima se formou pela UFG em 2012 e já convivia com os problemas na linha 263 | Foto: Arquivo Pessoal

Agrônomo Pablo Lima se formou pela UFG em 2012 e já convivia com os problemas na linha 263 | Foto: Arquivo Pessoal

Sem melhorias

Apesar dos sucessivos aumentos das taxas de tarifa do transporte público nos últimos anos na Região Metropolitana de Goiânia, é recorrente a insatisfação de muitos usuários com a rota 263.

O agrônomo Pablo Lima se formou pela UFG em 2012 e chegava ao campus usando a linha de ônibus 263 durante os quatro anos da graduação. Ele relatou que não se recorda de nenhuma melhoria na linha.

“Na época, uma linha ia até o campus e outra [264] apenas até o setor Santa Genoveva, acontecia muitas vezes do estudante se confundir e ter de descer no Santa Genoveva e pegar a linha que ia até o campus, mas o problema mais recorrente era a superlotação e o atraso”, comentou Lima.

DCE

Coordenadora do Diretório Central dos Estudantes da UFG (DCE) Rebeca Calgaro | Foto: Arquivo Pessoal

Coordenadora do Diretório Central dos Estudantes da UFG (DCE) Rebeca Calgaro | Foto: Arquivo Pessoal

À reportagem, a coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFG Rebeca Calgaro, relatou que, desde a última gestão, o diretório negocia com a Reitoria e a RMTC a implementação de uma linha intercampus (Universitário – Samambaia), que não cobraria taxa.

Outras demandas também entraram em pauta, como a criação de outras linhas, que tornaram-se inviáveis devido às concessionárias responsáveis variarem de acordo com a região.

Após as negociações do projeto da linha intercampus, segundo Rebeca, a RMTC incumbiu ao DCE a tarefa de fazer o estudo logístico e levantamento de demanda.

“Mas isso não é de responsabilidade nossa. Isso é um papel da empresa, que tem funcionários para isso”, destacou, explicando que, por conta disso, a proposta encontra-se congelada.

Pesquisa apontou insatisfação com o transporte público da capital | Foto: Reprodução/ Grupom

Pesquisa apontou insatisfação com o transporte público da capital | Foto: Reprodução/ Grupom

Pesquisa

De acordo com a pesquisa “Avaliação do Transporte Público”, realizada pela Grupom Consultoria e Pesquisas entre os dias 14 e 16 de fevereiro deste ano, com 329 pessoas, o cidadão goiano não está nada satisfeito com o transporte público.

Os dados apontam que 77,5% dos usuários avaliam como péssima ou ruim a pontualidade dos ônibus em Goiânia. Questionados sobre qual nota dariam, entre 1 e 10, para a satisfação geral com o transporte público, a média ficou em 3,3. Além disso, 74,9% dos entrevistados consideram péssima ou ruim a limpeza dos ônibus.

Estrutura

O sistema do transporte público de Goiânia e região metropolitana é gerido pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), uma empresa pública que integra a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC),concessionárias, Consórcio, Sindicato e Câmera.

O último procedimento licitatório ocorreu em 2007 e as empresas vencedoras foram a HP Transportes Coletivos LTDA., Viação Reunidas LTDA, Cooperativa de Transportes do Estado de Goiás (Cootego) e Rápido Araguaia LTDA.

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