Novas Tecnologias Educacionais e o Ensino Público

Valdeir Ferreira Camargo

As novas tecnologias educacionais estão sendo comentadas por todos os grandes centros de ensino. O debate acadêmico cresce cada vez mais sobre um novo modelo de ensino que se utiliza como suporte: a tecnologia. Caminhos alternativos educacionais foram teorizados e colocados em prática. Chegou-se a uma conclusão de que as novas tecnologias educacionais formam cidadãos com maior capacidade de obter sucesso na área profissional. No entanto, para fazer uso desse novo molde de ensino, há de se ter um suporte financeiro para que o material seja disponibilizado para os alunos.

Alguns colégios já possuem e fazem uso de alguns equipamentos como: o retroprojetor, data show e afins. O uso desses aparelhos tiveram um grande incentivo por parte da análise do gênio educador brasileiro – Paulo Freire. O discente não é uma máquina que deve memorizar conhecimento, mas sim, construir mutuamente com o professor. É nisso que se insere a tecnologia educacional e a construção do senso crítico. Tendo em vista que hoje as informações chegam de forma rápida ao aluno, o mesmo precisa saber filtrar tal conteúdo para que não seja “cego” pelo excesso de informação que na maioria das vezes se deturpam, como na brincadeira do “telefone sem fio”.

O problema é que no Ensino Público há um desleixo por parte do Governo perante a remuneração e suporte financeiro que é praticamente ausente. O professor é mal pago, a escola não possui o básico e a merenda em algumas situações é lastimável. O ensino é quase que impossível acontecer da forma almejada pelo nosso genuíno brasileiro Freire. As tecnologias educacionais encontram obstáculos quanto à inserção delas no ensino público. Há computadores em algumas escolas públicas, mas poucas escolas os possuem, sendo um dos únicos aparelhos tecnológicos que algumas escolas têm.

A desigualdade cultural no Brasil se relaciona diretamente com a desigualdade econômica do cidadão. Em uma época que as produções textuais não param sobre o ensino brasileiro, o tema da cota está em plena discussão, mas a população necessita pensar em todo o sistema educacional e localizar o verdadeiro inimigo. As cotas apesar de serem alvos de críticas não é o alvo a ser destruído, mas sim o desleixo com o ensino público em geral. As tecnologias educacionais e o contraste das escolas privadas com as públicas apenas mostram uma maneira de abordar o quão defasado está o ensino brasileiro. Deve-se acabar com as passeatas a favor ou contra as cotas, e reivindicarem o que de fato o Brasil precisa; mais verba para a educação e menos corrupção – através de uma fiscalização com severas punições aos engravatados do desvio econômico.

Valdeir Ferreira Camargo é historiador, graduado pela Universidade Federal de Goiás. Especialidade: História Visual, História Cultural.