Onde mora a distância

No transcorrer de uma história contada

Brunna Duarte

Que percorreu caminho já conhecido ao meu autoreflexo
Vi a proximidade daquilo que me faz viver
E do que me faz querer partir
E voltar

As medidas pareciam tão relatas, relativas
Pareciam tão implacáveis ao meu tão doce desejo
E eram frias, quantificáveis
Enquanto o que me habitava se via crescentemente imensurável
Era como se pudesse ver o amor distante

A distância, então, se fazia assim
Brincadeira inocente
Visão indefensa capaz de sufocar
Matar de dor os sonhos nascentes
E alimentar de falta os medos crescentes

Fora como o duelo entre resigno e sofreguidão
Num impasse destrutivamente silencioso
Numa vontade de enlouquecer por saídas
Ou sanar-se dolorosamente numa simples resposta

Nesse momento, pude ver tão claramente
A escuridão da falta, da partida
E a vida refletida
Revista nos olhos daquele que volta ao seu lugar

Secos de sal
Olhos tristes seguiram, vendo, verdades
Que o amor não vive só.
Ele caminha junto,
Ajuntando extremidades.