Francisco Jr poderia ter surpreendido com mais tempo de TV
Francisco Júnior, rei do debate: as suas ideias, a fala mansa e o fato de não ser alvo de ataques chamaram a atenção do telespectador

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Francisco Júnior (PSD) foi a grande surpresa das eleições em Goiânia (Foto: Reprodução)

Francisco Júnior (PSD) foi a grande surpresa das eleições em Goiânia (Foto: Reprodução)

Boca-a-boca imbatível da eleição

Quem escreve e quem interpreta análise política jamais pode se mover pelo imediatismo. Por isso é preciso circular bastante, ouvir as mais variadas opiniões. Foi agindo assim que identifiquei o humor do eleitorado goianiense para o segundo turno. Recebi críticas da militância de Iris Rezende (PMDB) quando Vanderlan Cardoso (PSB) parou de crescer nas pesquisas por ser aliado de Marconi Perillo (PSDB). “Agora vamos vencer no primeiro turno”, cutucaram os pemedebistas. Não era isso que se ouvia nas ruas. Também duvidaram quando comentei que Francisco Júnior (PSD) iria surpreender nas urnas, chegando perto dos 10% dos votos.

Francisco Júnior, rei do debate

Pesquisa de opinião pública ajuda muito na compreensão do cenário eleitoral, mas o grande recado está nos salões de beleza, nas padarias, nos postos de gasolina, nos bares e restaurantes. O boca-a-boca é imbatível e capta com muita proximidade o rumo do eleitorado. Na manhã seguinte ao debate da TV Anhanguera, um nome ecoava nas conversas: Francisco Júnior. As suas ideias, a fala mansa e o fato de não ser alvo de ataques chamaram a atenção do telespectador que, naquele momento, buscava distância da polarização entre Iris e Vanderlan. Esse fenômeno é identificado como “corrida desenfreada pelo novo”, afinal a dupla favorita se enfrenta pela terceira vez em seis anos – 2010, 2014 e 2016.

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Crescimento difícil de captar

Francisco Júnior, obviamente, ocupou o espaço deixado pelas inexpressivas candidaturas dos delegados Waldir (PR) e Adriana Accorsi (PT), os maiores fiascos eleitorais registrados em Goiânia nos últimos tempos. Crescimento na reta final, como o do ex-prefeitável do PSD, dificilmente é captado com exatidão pelos institutos de pesquisa. Com um pouco mais de tempo de tevê e estrutura de campanha, Francisco poderia ter se transformado no Pedro Wilson da eleição do ano 2000 – saiu da terceira colocação e alcançou o topo no primeiro turno, atropelando Darci Accorsi e Lúcia Vânia, os favoritos daquele pleito.

Coração do eleitor sempre aberto

Mas como cada eleição tem a sua peculiaridade, o momento é de extremo cuidado com qualquer análise em relação às primeiras pesquisas referentes ao segundo turno. O eleitor pode até manifestar sua preferência, ou então a opinião sobre quem vai vencer a disputa, todavia nada disso impede uma guinada nas últimas horas que antecederão novo encontro com a urna. Programa eleitoral e volume de campanha são importantes, mas Iris e Vanderlan não poderão cometer erro no sprint final, exato momento em que o coração do goianiense estará aberto à conquista.

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