Parque Amazônia 57 anos depois

Parque Amazônia torna-se o centro na preferência de famílias com alto poder de compra

O decreto de número 44, assinado em 31 de janeiro de 1955 pelo então prefeito de Goiânia, Arthur Oscar Macedo Sobrinho, aprovou o loteamento Parque Amazônia, que na época era de propriedade dos fazendeiros Elias Bufaiçal, José Fidélis Soares e José Rodrigues de Morais Netto. De periférico e habitado pela classe pobre, o bairro da Região Sul da capital torna-se, cada vez mais, o centro na preferência de famílias com alto poder de compra.

O setor teve seu desenvolvimento lento, mas, ao passar do tempo, dada a sua posição geográfica, aliada ao seu traçado, com ruas e avenidas largas, atraiu atenções e é hoje um dos bairros que mais se valoriza em Goiânia.

Localizado a cerca de 7 quilômetros do Centro, o Parque Amazônia chega aos 57 anos cortejado pela comunidade que o habita. A reportagem do Folha Z visitou o “aniversariante” em uma tarde chuvosa e ouviu o que os presentes tinham a dizer.“Fora a marginalidade, aqui é muito bom de viver”, afirma Lilaia Zediane, 31, moradora do bairro há dois anos. Apesar dela e o marido terem flagrado um assassinato na porta de casa, e já ter testemunhado, mesmo com medo, as agressões de policiais a um jovem, a mulher considera o bairro calmo. Indignado, o senhor Miguel da Silva Leal afirma que crimes é comum no setor. O idoso de 85 anos vive há vinte no Parque Amazônia e critica a ineficiência do poder público no combate à criminalidade.

Contrapondo-se ao aumento da violência, a comerciante Divina Pereira Barros, 43, que trabalha há uma década no Parque Amazônia, afirma que o bairro é muito tranquilo. Ela avalia que tudo no setor mudou; da quantia de agências bancárias, que subiu e facilitou a vida da comunidade local, ao reforço na segurança. Um problema que a comerciante levanta é o índice de acidentes de trânsito no bairro, principalmente na Praça Francisco Alves de Oliveira. Há registros de atropelamento no mês de janeiro e fevereiro, ano passado, houve óbito por essa causa.

Em jornais impressos, as menções ao Parque Amazônia em 2011 são majoritariamente negativas (com domínio de pautas sobre a violência), mas isso se justifica como reflexo do progresso alcançado pela região, segundo o empresário Carlos Damasceno, proprietário da loja CD Produtos Químicos, empresa especializada em limpeza

Paisagem verticalizada

Para Wilton Oliveira Furtado, 34, nascido e criado no bairro, uma diferença importante em relação a antes está na paisagem verticalizada. “No passado o Parque Amazônia só tinha casas e alguns sobrados. Hoje, o bairro tem muitos prédios”, conclui. Wilton trabalha na construção civil, numa empresa que atende o bairro, e, em sua avaliação, o que mais atrai moradores e investidores para a aquisição de imóveis é a boa localização, além de o setor ter comércio pujante que atende vários segmentos.

No momento, o Parque Amazônia passa por um inchaço populacional que exige o desafio de atender à demanda em crescimento. Caminhando pelas ruas do setor, dá pra perceber o quanto o Parque Amazônia se desenvolveu e valorizou nos últimos anos. De acordo com o corretor de imóveis Rafael Tiossi, o setor “é a bola da vez” para quem quer investir na casa própria. “O bairro foi planejado e tem localização privilegiada. Fica perto dos shoppings Buriti e Goiânia. Conta com ruas e avenidas largas, o que facilita o fluxo de veículos”, destaca Tiossi, enfatizando que motivos não faltam para as pessoas investirem no Parque Amazônia.