Esquema que desviou milhões do Mutirama e Zoológico era “rudimentar”

Para permitir o desvio de dinheiro no local, o mesmo ingresso era vendido mais de uma vez. A partir da segunda venda, a entrada não era contabilizada e o valor, desviado ao "caixa 2"

Operação Multigrana identificou esquema milionário no Mutirama e no Zoológico de Goiânia | Foto: Divulgação/Prefeitura de Goiânia

Operação Multigrana identificou esquema milionário no Mutirama e no Zoológico de Goiânia | Foto: Divulgação/Prefeitura de Goiânia

Um esquema de desvio de dinheiro nos Parques Mutirama e Zoológico foi exposto pelo Ministério Público nesta terça-feira, 23, após deflagração da Operação Multigrana, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.

Na operação, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária, cinco mandados de condução coercitiva e 12 mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo.

É investigada uma organização criminosa instalada na Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer de Goiânia (Agetul), especializada no desvio e apropriação do dinheiro decorrente da venda de ingressos nos parques.

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De acordo com as informações colhidas, a hipótese é que o esquema esteja em funcionamento há pelo menos quatro gestões da autarquia municipal, o que só foi debelado com a presente operação.

Estimativas iniciais apontam que a organização desviava cerca de R$ 60 mil por final de semana de funcionamento, aproximadamente R$ 3 milhões por ano, somente no Parque Mutirama. As investigações prosseguirão no decorrer da semana.

Promotor Ramiro Carpenedo, integrante do Gaeco | Foto: Reprodução

Promotor Ramiro Carpenedo, integrante do Gaeco | Foto: Reprodução

O esquema

Para permitir o desvio de dinheiro no local, o mesmo ingresso era vendido mais de uma vez. A partir da segunda venda, a entrada não era contabilizada e o valor, desviado ao “caixa 2”. No caso de ingressos danificados, os criminosos tinham auxílio de gráficas, que imprimiam bilhetes com o fim exclusivo de ganhos ilícitos.

Além disso, os líderes do esquema, que não foram divulgados pelo MP, escolhiam pessoas de sua confiança para operar as bilheterias e catracas dos parques. “Era tão rudimentar que fica difícil compreender”, afirmou o promotor Ramiro Carpenedo, integrante do Gaeco. (Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MP-GO)

Outro lado

Segundo o presidente da Agetul, Alexandre Magalhães, os crimes só foram identificados depois que a agência passou a realizar um controle maior da venda de ingressos e comparar a bilheteria arrecadada pela atual gestão com anos anteriores.

“Assim que assumimos a Agetul, em janeiro deste ano, observamos que havia no órgão uma formação criminosa, que desviava dinheiro advindo da venda de ingressos. O crime, por sua vez, só foi identificado após controle da venda de ingressos realizado pela atual gestão”, disse Alexandre Magalhães.

Conforme o presidente da Agetul, após a descoberta do esquema, o órgão municipal começou a repassar as informações e comparativos ao MP. “Em janeiro, apresentamos ao MP os números do que ocorreu na Agência nos últimos anos. Em posse desses dados, e com a nossa colaboração, o Ministério Público realizou uma investigação, que culminou na operação deflagrada nesta terça-feira”, explica Alexandre Magalhães.

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