Secretário chama vereadores de ‘malas sem alça’ no WhatsApp e Câmara pede esclarecimentos

Declaração faz referência a Vinícius Cirqueira e Romário Policarpo, detidos pela PM durante blitz na última sexta, 10

secretário municipal de Direitos Humanos Filemon Pereira Miguel | Foto: Prefeitura de Goiânia

secretário municipal de Direitos Humanos Filemon Pereira Miguel | Foto: Prefeitura de Goiânia

Em sessão na Câmara Municipal de Goiânia nesta terça-feira, 14, o vereador Vinícius Cirqueira (Pros) apresentou requerimento com vinte assinaturas convocando a comparecer à Casa o secretário municipal de Direitos Humanos Filemon Pereira Miguel.

Os parlamentares pedem que o secretário preste esclarecimento, em até 15 dias, sobre afirmações que teria feito sobre vereadores nas redes sociais. Sobre o assunto, Clécio Alves (PMDB) denunciou em plenário que Filemon teria chamado os vereadores de “malandros, moleques e que foi bem o que aconteceu com o Vinícius e Policarpo Romário”.

As declarações fazem referência aos vereadores Vinícius Cirqueira e Romário Policarpo, detidos em confusão com a Polícia Militar durante blitz na última sexta-feira, 10, em Goiânia. Por meio de nota, o secretário admitiu ter chamado os parlamentares de “malas sem alça”.

A nota confirma que Filemon usou o sentido político do termo: “difícil convergir”. A declaração faria menção “ao momento de impasse entre a administração municipal e o poder legislativo”.

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Confira a íntegra da nota: 

“O secretário Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, Filemon Pereira, esclarece que o conteúdo de um diálogo sobre o ocorrido envolvendo os vereadores Romário Policarpo e Vinícius Cirqueira em grupo de mensagens instantâneas foi completamente distorcido, em plenário na Câmara Municipal, nesta terça-feira, 14.

O secretário afirmou em um grupo fechado e de forma pontual que vereadores são malas sem alça, no sentido político do termo (difícil convergir), em alusão ao momento de impasse entre a administração municipal e o poder legislativo. Em nenhum momento agrediu a pessoa dos dois parlamentares, tampouco, da Casa, à qual mantém a mais respeitosa e cordial convivência.

No mesmo diálogo, o titular da SMDHPA salientou enfaticamente que caso os policiais tenham cometido ato racista, os mesmos precisam pagar por isso. Por fim, se desculpa pelo resultado do mal entendido, estende o repúdio às agressões tanto físicas como psicológicas sofridas pelas vítimas e reitera seu compromisso com o combate ao racismo e todo e qualquer tipo de discriminação.”

Vereadores

Na justificativa do requerimento, Vinícius Cirqueira disse ter ficado espantado que um membro do primeiro escalão da prefeitura tenha feita afirmações que “desqualificam e agridem os vereadores e este Poder. Portanto, ele terá que vir a esta Casa para se explicar e prestar informações sobre aquelas declarações”.

Para Elias Vaz (PSB), os 35 vereadores devem tomar uma posição conjunta sobre o assunto, inclusive com uma interpelação judicial. “Se for verdade, o secretário joga este Poder na lama. Isso é inadmissível”.

Já Policarpo afirmou que, “se o prefeito não demitir imediatamente esse secretário, vou me tornar oposição ferrenha ao Paço nesta Casa. Esse cidadão, secretário de Direitos Humanos, foi racista. Imundo mesmo. Malandro é ele que não respeita os direitos humanos. Deveria era condenar a violência a que fomos submetidos”.

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