Waldir, Adriana e Araújo: segurança no pior cenário

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Waldir e Adriana surgiram como protagonistas do suposto principal debate da campanha – o combate à criminalidade – e terminaram como responsáveis diretos por fiascos retumbantes
Waldir e Adriana surgiram como protagonistas do suposto principal debate da campanha – o combate à criminalidade – e terminaram como responsáveis diretos por fiascos retumbantes | Foto: divulgação

Não poderia ter encerrado de forma mais melancólica a participação do trio da segurança pública na sucessão em Goiânia. Delegado Waldir Soares (PR), delegada Adriana Accorsi (PT) e Major Araújo (PRP) surgiram como protagonistas do suposto principal debate da campanha – o combate à criminalidade – e terminaram como responsáveis diretos por fiascos retumbantes. Coronel Pacheco (PTB) não comprometeu. Waldir e Adriana murcharam logo no primeiro turno, enquanto Araújo decidiu “pegar o banquinho e sair de fininho”, como canta o apresentador Raul Gil, antes de ser diplomado como vice do prefeito eleito Iris Rezende (PMDB).

Reeleição nada fácil

Como consequência direta, os delegados e o major conseguiram a proeza de ampliar o grau de dificuldade para a reeleição em 2018. De fenômeno eleitoral (270 mil votos) a motivo de piada, Waldir Soares será obrigado a rebolar muito para permanecer na Câmara Federal. O mesmo acontece em relação à Adriana Accorsi, a candidata que carrega o peso da estrela (PT) mais rejeitada do país no momento. Já o capítulo Major Araújo merece um registro à parte. Convocou entrevista coletiva ontem para anunciar, literalmente sozinho na mesa, que abria mão do cargo de vice por ter sido boicotado pela cúpula do PMDB.

Deputado Major Araújo (PRP) renuncia ao cargo de vice-prefeito de Goiânia| Foto: Divulgação/Alego
Resumindo: Major Araújo nos quer fazer acreditar que ele foi praticamente obrigado a cerrar fileiras com Iris, o famoso “fui para o sacrifício”.

O “sacrifício” do vice

Frase da minha avó no passado: “Quem muito fala, pouco convence”. E não foram poucas as palavras do major. Disse que aceitou “a convocação (para ser vice de Iris) no susto, sem condições de refletir, sem pensar nos inconvenientes, era pegar ou largar”. Negou opção por melhor condição salarial, estrutura de cargos e foro privilegiado proporcionados pelo mandato na Assembleia Legislativa. Resumindo: Major Araújo nos quer fazer acreditar que ele foi praticamente obrigado a cerrar fileiras com Iris, o famoso “fui para o sacrifício”.

Telefone mudo

Evitando atingir diretamente o prefeito eleito, o deputado do PRB afirmou ter sofrido “censura e boicote” da cúpula peemedebista. Tanta argumentação para nada. Até aluno de quinta série em Goiás sabe que Iris Rezende mantém controle absoluto de suas campanhas e dos seus governos. Ainda sob o impacto negativo da proposta da Bolsa Arma, Major Araújo foi orientado a ser o mais discreto possível. Tentou, porém não conseguiu. Bateu boca em debate com estudantes da UFG e levantou suspeita infundada sobre manipulação de números da pesquisa Serpes/O Popular.

Major Araújo venceu a eleição com Iris Rezende, participou da festa na Praça Tamandaré e depois ficou esperando um simples telefonema do companheiro de chapa. Mandou recados pelos jornais e emissoras de rádio, mas o celular não tocou. Sem saída, jogou a toalha fazendo barulho, afinal quem um dia foi rei (de problemas) nunca perde a majestade.

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