A explicação para a pior fase da história do Goiás em 5 visões diferentes

A explicação para a pior fase da história do Goiás em 5 visões diferentes | Foto: Ilustrativa
A explicação para a pior fase da história do Goiás em 5 visões diferentes | Foto: Ilustrativa

Por Marco Faleiro

Com menos de 10% de aproveitamento na Série B do Campeonato Brasileiro 2018, a pior fase da história do Goiás é para muitos inexplicável.

Após faturar o caneco do Estadual, o time ainda não venceu na Segundona e o risco do inédito rebaixamento já ronda a Serrinha. E a situação não é novidade.

Em 2016, foram quatro posições apenas de distância entre o clube e o rebaixamento para a Terceirona.

Já em 2017, o Verdão escapou da degola por apenas dois pontos. Na ocasião, Hélio dos Anjos foi o remédio amargo adotado pela diretoria esmeraldina.

LEIA MAIS: Torcedores do Goiás convocam protesto contra diretoria e maus resultados

Mas o que explicaria essa sucessão de resultados ruins que tirou o Goiás do grupo dos times intermediários que disputam campeonatos internacionais para a situação de não ganhar de ninguém na Segunda Divisão?

Para responder a essa pergunta, o Folha Z consultou especialistas em futebol e na história do Goiás. Afinal, o que tem acontecido na Serrinha?

1 Gestão de amigos

Vice-presidente Júnior Vieira, presidente do Conselho Deliberativo Hailé Pinheiro, presidente executivo Marcelo Almeida e assessor da presidência Harlei Menezes | Foto: Rosiron Rodrigues
Vice-presidente Júnior Vieira, presidente do Conselho Deliberativo Hailé Pinheiro, presidente executivo Marcelo Almeida e assessor da presidência Harlei Menezes | Foto: Rosiron Rodrigues

Para o repórter esportivo Rondinelli Dantas, o problema do Goiás resume-se a uma “gestão de amigos”.

Ele pontua que os dirigentes do time, principalmente o grupo de Hailé Pinheiro, “fizeram muito pelo Goiás como empresa, mas não como clube de futebol”.

Exemplos disso, para Rondinelli, são a contratação de “amigos”, e não de profissionais, para posições estruturais do time, como a direção de futebol.

O repórter vê como única solução para essa crise esmeraldina uma mudança radical em seu comando.

“O problema é que mudaram o estatuto do Goiás. Com a perda de voto dos sócios-proprietários, só o conselho pode votar. O que dificulta muito a renovação”, criticou Rondinelli.

2 Falta de projeto

Em entrevista recente para o Diário de Goiás, o técnico Vanderlei Luxemburgo deu sua opinião sobre o Goiás.

Na visão do experiente treinador, falta ambição ao clube, que teve apenas resultados inexpressivos nos últimos anos.

“É preciso saber se o Goiás quer caminhar para um grande projeto nacional e sair do estadual”, disse o veterano.

E esse quesito é justamente um antigo ponto de tensão na história do Goiás: a postura pouco ousada defendida pelo presidente do Conselho Deliberativo Hailé Pinheiro.

À imprensa, Hailé já chegou a dizer que um título nacional “quebraria o Goiás”. E um rebaixamento para a Série C?

3 Ausência de oposição

Conselheiro Marcos Figueredo,ex-presidente Sérgio Rassi e presidente do Goiás Marcelo Almeida | Foto: Rosiron Rodrigues
Conselheiro Marcos Figueredo,ex-presidente Sérgio Rassi e presidente do Goiás Marcelo Almeida | Foto: Rosiron Rodrigues

Por meio das redes sociais, o narrador Téo José apontou que um dos motivos para situação ruim do Goiás (time pelo qual tem torcida declarada).

Para ele, a esperança de melhora seria uma oposição ao grupo que comanda o Goiás há tempos.

“Participei de algumas conversas em passado recente e por isso não me surpreendo. Tentei ajudar, neste mesmo passado, não quiseram. Hoje poucos mandam e a arrogância predomina”, analisou.

O narrador goiano ainda fez a pessimista previsão de que, dessa maneira, as coisas podem piorar.

“Hoje, estou bem triste, acho que você também, meu Goiás, estão nos maltratando muito e tem tempo. O pior é que o poço ainda tem fim”, escreveu.

4 Sumiço do dinheiro

Protesto da torcida do Goiás em frente ao Centro de Treinamento da Serrinha no último sábado, 26 | Foto: Redes Sociais
Protesto da torcida do Goiás em frente ao Centro de Treinamento da Serrinha no último sábado, 26 | Foto: Redes Sociais

Já parte da torcida, que organizou um protesto no último sábado, 26, contra um dos piores momentos da história do Goiás, um dos problemas é a gestão do dinheiro.

Esses torcedores reclamam da ausência de conversão dos dividendos do time em resultados.

“Dinheiro de Libertadores, time de Série C”, protestaram por meio de faixas.

Só para se ter uma ideia desses valores mencionados pela torcida, seguem alguns números recentes de faturamento do Goiás:

+ R$ 13 milhões na transferência do atacante Erik para o Palmeiras em 2015;

+ R$ 20 milhões pela venda do atacante Bruno Henrique ao Wolfsburg, da Alemanha, em 2016;

+ R$ 2,8 milhões pela renovação do contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal em abril de 2018.

“Hailé Pinheiro, cadê o dinheiro do Goiás?”, questionam os esmeraldinos insatisfeitos.

5 Falta de humildade na recente história do Goiás

Derrota do Goiás para o Vila Nova pelo placar de 3 a 1 na Série B 2018 faz parte de uma sequência de resultados negativos | Foto: Reprodução
Derrota do Goiás para o Vila Nova pelo placar de 3 a 1 na Série B 2018 faz parte de uma sequência de resultados negativos | Foto: Reprodução

Para o jornalista Rodrigo Czepak, o problema do Goiás é a ausência de humildade.

Profundo conhecedor da realidade esmeraldina e do futebol goiano, Rodrigo acredita que a solução para o Verdão é mesmo o rebaixamento: “vitamina C na veia esmeraldina”.

Confira a análise completa que o jornalista fez a convite do Folha Z:

Remédio para o Goiás é a Série C

O torcedor fanático do Goiás Esporte Clube ainda sonha ver o seu time do coração em diversas situações: campeão brasileiro da Série A, voltando a disputar uma Copa Libertadores ou até mesmo reeditando uma outra final de Copa Sulamericana.

Mas nada disso irá acontecer se não houver um choque de realidade. Dirigentes, comissões técnicas e jogadores, ao longo dos últimos anos, se recusam a aceitar o declínio esmeraldino na gestão do futebol.

Um clube mediano, que sonhou ser grande, hoje caminha para se apequenar de vez no cenário nacional.

Muitos têm sido os avisos, dentro e fora de campo, mas ninguém quer escutar. Eu sou otimista, por isso acredito que uma provável queda para a Série C reduziria o ego da cartolagem a níveis suportáveis.

Do limão o Goiás seria obrigado a fazer uma limonada, revendo os seus conceitos de patrimônio e ‘maior do Centro-Oeste’.

Ainda se escuta hoje em dia que determinado jogador não tem perfil adequado para jogar no Goiás, que o clube é respeitado no restante do país por sua estrutura. Eis o motivo para o remédio ser amargo.

O cemitério está repleto de tradição. Só uma ‘vitamina C’ na veia esmeraldina poderá resgatar a humildade e o profissionalismo de campanhas memoráveis do passado.

Ou ressurge das cinzas, como muitos times já fizeram, ou carrega o fardo da incompetência.”

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