Serra Dourada se espelha no Morumbi

No Morumbi, não há bares

A experiência de saborear uma refeição de qualidade ou consumir bebidas de maneira confortável dentro de um estádio de futebol foi vivenciada por um grupo de comerciantes goianos em São Paulo (SP). Apoiados pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Goiás), nove proprietários de bares situados dentro do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, fizeram visita guiada ao Morumbi Concept Hall, de propriedade do São Paulo Futebol Clube, espaço que abriga restaurantes, lojas, camarotes e academias dentro do estádio.

A meta da missão foi conhecer as boas ideias do projeto são-paulino na área de alimentação para botá-las em prática em Goiânia, cidade que pode sediar o treinamento de seleções durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. A Federação Internacional de Futebol (Fifa), inclusive, já aprovou três centros de treinamento nas capital – Estádio Serra Dourada, Centro de Treinamento do Atlético Clube Goianiense e Estádio da Serrinha, do Goiás Esporte Clube.

Dentro do Morumbi existem três restaurantes: o By Koji, especializado em culinária japonesa, o Copa e o Santo Paulo Bar, ambos de cardápio variado. Todos têm visão ampla e privilegiada para o gramado e funcionam durante a semana e nos dias de jogos. Porém, no horário das partidas, não podem vender bebidas alcoólicas, por conta de uma lei estadual.

O Santo Paulo Bar tem mesas e cadeiras temáticas confortáveis, além de atendimento com garçons trajados com as cores do São Paulo. A cozinha é aberta ao público, que é convidado a fazer uma visita. Televisores espalhados pelo espaço transmitem jogos ao vivo, nos dias das partidas, e reprises de outros confrontos ou programas esportivos, nos demais dias. O local funciona de quarta a domingo, do meio-dia ao último cliente.

“O que o torcedor quer é comodidade, qualidade nos produtos e bom atendimento. É isso que precisamos levar até ele”, explica a analista do Sebrae Goiás Cinely de Oliveira Carlotto, que liderou a missão goiana na capital paulista ao lado do agente local de inovação Gabriel Peixoto.

Presidente da Associação dos Permissionários de Bares e Ambulantes do Estádio Serra Dourada, Neimer Vasques, que estava na visita, fez análise semelhante. “Temos de aprimorar nossa gestão para não perdermos clientes. Necessitamos também de passar confiabilidade em nossos produtos, de saber tratar corretamente os alimentos. É isso que estamos buscando junto ao Sebrae”, emendou Neimer, que é proprietário do Bar 3, do setor das cadeiras.

Infraestrutura

No Morumbi, não há bares. Os três restaurantes estão localizados na arquibancada inferior (geral). Nos dois pavimentos de arquibancada acima, ambulantes comercializam bebidas e salgados em bolsas térmicas. Os salgados são vendidos em formas de kits, ou seja, não existe venda avulsa, e chegam prontos de uma empresa terceirizada.

Uma empresa de ‘catering’ presta os serviços alimentares aos ambulantes em dias de jogos. Os produtos são armazenados em veículos e seguem direto para as sacolas dos vendedores. Praticamente inexiste contato manual com alimentos e bebidas.

Em Goiânia, os 16 bares instalados no Serra Dourada vendem, além de bebidas alcoólicas e refrigerantes, salgados e sanduiches. É a única praça esportiva do país em que os alimentos são preparados na hora – frituras e assados. Por isso, correm mais riscos de contaminação por bactérias.

Já os ambulantes fazem o trabalho de “garçom” no estádio, uma vez que eles pegam bebidas nos bares e as levam até as arquibancadas e cadeiras, sem cobrar do cliente adicional pelo serviço. Esse transporte é feito em bandejas confeccionadas com isopor e papel alumínio. Equipamentos semelhantes também conduzem pipocas, churros e sanduiches.

Por meio do projeto Sebraetec, entretanto, uma nova bandeja será desenvolvida para garantir que o serviço seja feito de maneira mais limpa e segura.

Warlem Sabino/ASN