Tragédia da Rua C-27

Policial, deitado no chão com lençol sobre o corpo, foi alvejado com um tiro na cabeça

Observação: esse fato ocorreu em setembro de 2010

Túnel do Tempo

– Olá, mãe. Tudo bem aí em Palmas? Saudades. Sei que eu devia ter escrito antes e você vai puxar minha orelha quando eu for visitar você, mas é que ocorreu uma tragédia difícil de acreditar aqui no bairro onde moro. Você ficou sabendo de alguma coisa? Acho que não, né! Pois bem, vou lhe contar como foi.

Tarde ensolarada do dia 18 de setembro. O soldado do Grupo de Patrulhamento Tático (GPT) de Aparecida de Goiânia, Jodenil Domingos Pontes, 29, almoçava com familiares em sua residência localizada na rua C-27, quadra 25, lote 17, Jardim América. Após o almoço, uma discussão familiar pôs fim à harmonia na casa.

Jodenil discute com a esposa, senhorita Núbia Pontes. O motivo do bate boca seria o desentendimento com familiares após ter a paternidade da filha, de 3 anos, contestada por um parente. Irritado, ele a agride.  Vizinhos testemunharam que viram Jodenil esmurrando o rosto da esposa.

Um primo de Jodenil, que almoçava na casa do parente com a mulher e o filho, contou para os agentes da Polícia Civil que anos atrás o soldado do GPT tentou matar seu próprio pai com arma de fogo. O tiro teria pegado de raspão na cabeça. Ele disse ainda, que após discutir com Núbia, Jodenil ficou violento.

Durante a discussão, o soldado pegou uma faca e ameaçou a esposa. Minutos depois, ele pegou uma pistola ponto 40 que guardava em casa e disparou quatro tiros, que foram ouvidos pela vizinhança. Um deles teria sido desferido em direção à mulher visitante.

A testemunha contou que pediu para Jodenil largar a arma e não fazer maldade a ninguém. O soldado, então, mandou o casal ir embora. Não só ele, como também a mulher de Jodenil e os filhos dela saíram correndo do local e foram para casa de um vizinho na Rua C-31, chamado César.

Terror

No momento que ocorreu os disparos de arma de fogo, vizinhos acionaram, por meio do celular funcional, a viatura da Polícia Militar (PM) que patrulhava a região. Nesta viatura estava o sargento Jean Clayton Gouveia Moreira acompanhado do soldado Edson Silva Nascimento. Quando os militares chegaram ao local para chegar a ocorrência foram recebidos no portão pelo soldado. Nesse instante, apenas Jodenil estava em casa.

Ao se identificar como PM, Jodenil teria entregado a Jean Clayton a identidade funcional e, em seguida, sacado a pistola e efetuado um disparo contra o rosto do sargento.  Após alvejar Jean Clayton, Jodenil ainda efetuou mais três disparos contra Edson Nascimento, atingido no queixo, na mão e no cotovelo. Mesmo ferido, Edson tentou socorrer o sargento, que morreu no local.

Testemunha

Morador ouviu vários tiros

O aposentado Pedro Chaves, 76, estava sentado na porta da sua casa na Rua C-32 quando ouviu vários tiros. Curioso, ele saiu correndo para ver o que ocorria. “Vi um policial caído no chão e minutos depois chagaram vários carros da polícia”, lembra o aposentado, que fez questão de enfatizar que Jodenil era uma pessoa calma e boa.

Após ouvir o pedido de socorro do soldado Edson, Orlando Silva, que estava nas proximidades, ligou para PM. Várias viaturas foram encaminhadas para o local. Os primeiros policiais que chegaram para atender a ocorrência viram dois militares caídos no chão. Edson Nascimento foi socorrido e levado para o hospital Jardim América, na Avenida T-63. Quando a polícia entrou na residência de Jodenil já o encontrara morto. Ele tinha se suicidado na cozinha de sua casa.

Familiares relataram que Jodenil nunca foi violento com ninguém. Colegas de farda ficaram sem entender a atitude do soldado. Núbia, com quem o policial era casado há 3 anos e com a qual tinha uma filha, em entrevista ao um jornal diário, afirmou que Jodenil era um homem carinhoso e muito atencioso, mas reconheceu que ele era muito ciumento.

Núbia, ainda abalada com a tragédia, disse que vai fazer um teste de DNA para comprovar que Jodenil é mesmo o pai da filha dela.