
Se bem indicado, recurso pode fazer bem danado aos milhares de usuários das unidades públicas de saúde da cidade
Rodrigo Augusto
Que as emendas impositivas, que possivelmente serão aprovadas pelos vereadores de Aparecida de Goiânia, sejam instrumento de saúde e educação ou, quem sabe, até de esperança, para o povo.
O projeto prevê R$ 1,6 milhão para cada um dos 25 nobres edis da Augusta Casa de Leis.
O repasse é legal e Aparecida, na condição de segunda maior cidade de Goiás, já deveria há muito tempo contar com as emendas.
“O dinheiro que temos é instrumento de liberdade; o que perseguimos é instrumento de servidão.”
A frase não é minha.
Contudo, traduz bem a inquietação de alguns cidadãos com quem tive a oportunidade de prosear desde que a possibilidade de aprovação das emendas se espalhou pela cidade, inclusive pelos bairros mais desprovidos de infraestrutura.
O autor da reflexão é Jean-Jacques Rousseau, filósofo e pensador político considerado um dos precursores do romantismo.
Em poucas palavras, conseguiu sintetizar uma ideia que atravessa séculos.
E ela segue atual.
Com a possível aprovação do repasse milionário anual para cada vereador, o povo tende a voltar ainda mais os olhos para a Câmara de Aparecida.
Afinal, trata-se do dinheiro do Zé, da Sebastiana, da Dona Maria , e também do seu.
Dinheiro que, conforme estabelece o projeto, deverá ser investido prioritariamente em Saúde e Educação.
Se bem indicado, esse recurso pode fazer bem danado aos milhares de usuários das unidades públicas de saúde da cidade.
Pode também contribuir com a educação de milhares de crianças e adolescentes.
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E, com até 30% dos recursos, como pretende estabelecer o Poder Executivo, os vereadores ainda poderão viabilizar campinhos de futebol, pracinhas e outras benfeitorias.
Mas a prioridade está clara na própria lei: Saúde e Educação.
O povo de Aparecida precisa, sobretudo, de mais atenção nessas áreas, não de assistencialismo.
Se uma única indicação conseguir diminuir o sofrimento de quem busca socorro nas UPAs durante as madrugadas, muitos aparecidenses, mesmo sem saber de onde veio o recurso que ajudou a garantir um remédio ou melhorar um atendimento, já terão motivo para se sentir contemplados.
Que o atual frenesi dos vereadores com as emendas se transforme, no futuro, em satisfação genuína ao ver resultados concretos para a população.
E, voltando ao pensamento de Rousseau, que o dinheiro público seja tratado como instrumento de liberdade para o povo, e jamais como caminho para a servidão política.
Porque, no fim das contas, o recurso não pertence ao vereador, nem ao governo de plantão.
Pertence à cidade. E, sobretudo, ao povo de Aparecida.





