Seleção em Goiânia: maquiagem no Serra e desperdício do Estádio Olímpico

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Estádio Olímpico e Serra Dourada (Foto: Reprodução)
Estádio Olímpico e Serra Dourada (Foto: Reprodução)

Skate, enganação, desperdício e moscas

Ter um filho skatista facilita muito a compreensão das novidades. Dias atrás o caçula saiu, como de hábito, com um grupo de amigos para “circular pelo Oscar”. Traduzindo: gastar algumas horas fazendo manobras na pista de skate improvisada do Centro Cultural Oscar Niemeyer. Passados 40 minutos, ele liga para avisar que o local estava fechado, em função dos preparativos para a realização do InterUFG/2016, e que por isso a turma seguiu para a nova praça esportiva do autódromo de Goiânia, exatamente o espaço que será inaugurado oficialmente amanhã por Jayme Rincón e Marconi Perillo.

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Balde de água fria

Ao voltar para casa, o caçula rasgou elogios para tudo o que viu. “Pai, a pista é top e a estrutura muito boa. Se tiver manutenção, vai longe”, comemorou. O comentário animado, despretensioso, me estimulou a levantar mais informações e escrever algo sobre a nova praça esportiva do autódromo. Seguia firme neste propósito até o momento em que o site oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou a realização do amistoso entre Brasil e Japão, no dia 30 de julho, para o estádio Serra Dourada, em Goiânia. Foi como se um balde de água fria caísse sobre minha cabeça. Impossível acreditar na seriedade dos governantes e no zelo do dinheiro público em Goiás.

Brincadeira de mau gosto

Como diz o jornalista Jorge Kajuru, desafeto número um do Palácio das Esmeraldas, Marconi Perillo, José Eliton e demais auxiliares estão brincando de governar. Anunciaram com pompa e circunstância, como sempre, que o interminável Estádio Olímpico da avenida Paranaíba seria inaugurado com uma partida da seleção brasileira antes das Olimpíadas. Com capacidade para apenas 12 mil torcedores e ainda inacabado, a CBF pôs fim à fantasia. Marcou o jogo para o combalido Serra Dourada, um estádio em situação deplorável e que chegou a ser interditado várias vezes ao logo dos últimos anos por não oferecer conforto e segurança aos torcedores.

Jeito é abusar da tinta

O resultado prático da brincadeira de mau gosto é que o Serra Dourada vai passar por outra maquiagem para receber a seleção, à base de muita tinta e tapume. A gambiarra será bancada por recurso público, obviamente, enquanto o “moderno” Estádio Olímpico estará recebendo um animado jogo entre moscas, como acontece há mais de uma década. E podem anotar: o exagero de Marconi Perillo na busca por holofote vai se transformar em enorme constrangimento durante a permanência da seleção em Goiânia. O governador não controla a mídia nacional como a local, por isso será obrigado a dar explicações sobre o desperdício de dinheiro público no Serra Dourada e a falsa expectativa criada por ele próprio em torno do Estádio Olímpico.

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