Gustavo leu o tabuleiro antes do xeque-mate

Gustavo Mendanha
Gustavo leu o tabuleiro antes do xeque-mate | Foto: Rodrigo Estrela/Arquivo

Após esvaziamento da candidatura a vice e novos movimentos do Palácio, Mendanha aposta no Senado e no PRD


Rodrigo Augusto

Gustavo Mendanha percebeu os movimentos do tabuleiro político antes de sofrer o temido xeque-mate.

Ainda nos primeiros lances rumo às eleições de 2026, em pleno 2025, posicionou-se como pré-candidato a vice-governador antes mesmo do início oficial da partida.

Apostou que haveria espaço ao seu redor no núcleo principal do jogo.

Do rei, porém, não vieram sinais contundentes nem movimentos claros favoráveis ao seu projeto político.

Pelo contrário.

A base governista abriu novas possibilidades para a vice e passou a movimentar outros peões no tabuleiro.

Encurralado na disputa pela vice, Mendanha decidiu mudar a estratégia.

Recuou algumas casas e voltou ao jogo como pré-candidato ao Senado.

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Mesmo assim, o ambiente político passou a tratá-lo como peça sacrificável.

Dos corredores palacianos aos microfones da imprensa, ecoaram nomes considerados preferenciais para a disputa ao Senado, inclusive de atores políticos que, até então, imaginavam estar fora do jogo governista.

O gesto do Palácio ocorreu justamente quando Mendanha começava, ainda que timidamente, a ensaiar os primeiros movimentos de pré-campanha.

Experiência política 

Ainda encurralado, Gustavo demonstrou experiência de jogador veterano.

Sem alarde, já nos minutos finais da partida, trocou de partido ao perceber que deixara de ser peça central no tabuleiro governista.

A mudança para o PRD, federado ao Solidariedade, garante ao ex-prefeito de Aparecida de Goiânia sobrevida política e, sobretudo, a possibilidade concreta de disputar o Senado.

Gustavo Mendanha

Mendanha recuou estrategicamente e retomou o projeto de disputar uma vaga no Senado | Foto: Rodrigo Estrela/Arquivo

Se a costura política for bem executada, as cicatrizes poderão desaparecer com o tempo.

Com ou sem vitória eleitoral, o essencial, neste momento, é continuar no jogo.

Afinal, logo adiante, em 2028, haverá nova rodada eleitoral.

E, para um jogador da envergadura política de Gustavo Mendanha, cair no ostracismo talvez fosse o verdadeiro xeque-mate.

Mendanha sabe das dificuldades de enfrentar uma disputa ao Senado de maneira quase solitária.

Ainda assim, compreende que permanecer vivo politicamente é, muitas vezes, mais importante do que vencer uma única partida.

Recuo estratégico

O recuo, portanto, pode ser interpretado como movimento estratégico.

No xadrez, e também na política, há momentos em que reposicionar peças é a única forma de seguir competitivo.

Gustavo leu o tabuleiro, antecipou o risco e decidiu agir antes do xeque-mate.

Os movimentos adotados são questionados e desagradaram palacianos.

Ainda assim, o ex-prefeito parece ter concluído que permanecer no jogo, mesmo em condições adversas, é melhor do que assistir à partida do lado de fora do tabuleiro.


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