
Veter Martins saiu das urnas com uma pergunta: por que um deputado eleito com mais de 30 mil votos não conseguiu repetir o desempenho 4 anos depois?
Em 2022, recebeu 30.836 votos e foi eleito.
Em 2026, teve 18.449 e ficou como suplente.
Uma redução de 12.387 votos.
O peso da causa animal
Na minha avaliação, parte da resposta passa pela estratégia de campanha.
Veter transformou a causa animal em uma das principais marcas de sua atuação, com iniciativas como o Castramóvel Solidário.
O problema não está na causa, legítima e capaz de mobilizar grupos organizados.
A questão é fazer de uma pauta específica a principal identidade eleitoral de um mandato.
Na política, boa causa não necessariamente se transforma em voto.
Castração, atendimento veterinário e proteção contra maus-tratos podem ser bem recebidos pelo eleitor, mas isso não significa que essas ações sejam suficientes para criar conexão eleitoral duradoura.
O eleitor pode reconhecer o benefício, agradecer e seguir adiante.
Na hora da urna, outras preocupações podem pesar mais.
E foi justamente aí que Veter parece ter encontrado seu limite.
O discurso permaneceu praticamente no mesmo lugar enquanto o eleitorado apresentava outras demandas.

Veter Martins não foi reeleito deputado
Aparecida acende o alerta
O dado mais expressivo está em Aparecida de Goiânia, principal reduto eleitoral do deputado.
Em 2022, Veter recebeu 24.758 votos na cidade.
Em 2026, foram 7.880. Uma queda de 16.878 votos, ou 68,2%.
Mesmo com trajetória política, experiência no Legislativo e articulações com nomes como Gustavo Gayer, Veter não conseguiu manter a votação no município.
A reflexão das urnas
É aí que está a principal reflexão desta eleição: não basta ter uma causa.
É preciso saber se aquela pauta, naquele momento, consegue traduzir as preocupações do eleitor em votos.
A derrota de Veter não significa que a causa animal perdeu força.
Significa que, eleitoralmente, ela não foi suficiente para sustentar a mesma votação de 4 anos atrás.
A diferença de mais de 12 mil votos merece ser estudada.
Afinal, na política, tão importante quanto defender uma causa é compreender o que o eleitor espera de seus representantes.
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