Agora o dinheiro já foi gasto, Mané

As vaias e os protestos deveriam ter acontecido em junho de 2009, na escolha das cidades-sede

Mané Garrinha
Presidente Dilma recebe vaias na abertura da Copa das Confederações / Foto: Fabio Rodrigues / ABr

Brasileiro deixa tudo para a última hora mesmo, até para protestar é assim. Esperaram começar a Copa das Confederações, seis anos após o seu anúncio, para expor seu descontentamento com o custo da construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Só que agora o dinheiro já foi gasto, Mané!

Desde 2009, quando lançamos o Portal 2014, sempre manifestei minha opinião sobre o desperdício de dinheiro que seria fazer a Copa do Mundo em 12 sedes. A maior parte da população pensava o contrário. E aplaudia a decisão do governo de “privilegiar” todas as regiões do Brasil, sobretudo o norte e nordeste, com cinco sedes.

Agora parece que o discurso mudou, caiu a ficha e alguns iniciam protestos, falam em elefantes brancos, que a Copa não serve para nada.

A própria Fifa, desconhecendo o comportamento do brasileiro, criou para a Copa das Confederações uma logística pouco inteligente para retirada dos ingressos, causando transtornos e enormes filas para os torcedores que moram longe dos pouquíssimos postos de troca. Já deveria ter aprendido que deixamos tudo para a última hora.

Me desculpem, senhores manifestantes, mas o tempo passou, tivemos eleições para todas as esferas de governo e ninguém se levantou contra os bilhões que não foram investidos em hospitais, escolas, saneamento, segurança etc.. As vaias, passeatas, manifestações mudariam alguma coisa se tivessem ocorrido em junho de 2009.

Fazer barulho agora me cheira a oportunismo e o pouco que o Brasil poderia ganhar com todo este evento, que é um divulgação mundial das nossas vitrines, pode virar uma exposição de violência e das nossas vidraças.

Que fique como legado da copa, a consciência de que os brasileiros devem ficar mais atentos aos investimentos do governo antes das obras e os compromissos saírem do papel, porque depois não adianta chorar o leite derramado.

 

Texto: Rodrigo Prada, Rio de Janeiro / Portal 2014

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