Coluna de Quadrinhos – Anti-herói nacional ganha as ruas de protestos e as páginas da internet

Dark Web é a nova saga do anti-herói nacional O Doutrinador
Dark Web é a nova saga do anti-herói nacional O Doutrinador

O gigante acordou. Esta frase foi dita incansavelmente nas redes sociais, desde que o povo brasileiro saiu da comodidade do lar, em 2013, e partiu em direção as ruas, com cartazes, máscaras e pinturas no rosto. Tudo isto para mostrar sua indignação sobre a situação do País.

E em meio ao calor da revolta, dos protestos e manifestações, um personagem brasileiro dos quadrinhos ganhou destaque: O Doutrinador. Apesar de ter sido criado em 2008 pelo designer gráfico Luciano Cunha, 41, foi durante as revoltas que o anti-herói nacional ganhou força. Tanta força, que andou até incomodando alguns políticos que quiseram cancelar sua publicação – impressa e online.

O personagem chamou tanta atenção que já foi mencionado até em veículos de mídia internacional. Porém, se você ainda não está familiarizado, o personagem de Luciano é um guerreiro urbano, anti-reacionário, do lado da população que luta por um País melhor. Vale  pena dar uma conferida na fan page do herói, que tem quase 35 mil curtidas.

Confira o bate papo bacana que o Folha Z teve com o criador do personagem, Luciano Cunha:

Folha Z – Qual o objetivo do personagem?

Luciano Cunha – Extravasar minha revolta. Esse sempre foi o objetivo principal. Depois, com o número de pessoas curtindo aumentando, passei a me preocupar muito com a informação. Acho que é meu dever também informar os leitores.

Folha Z – Fale um pouco da história e do background do personagem.

O criador do herói, Luciano Cunha, já sofreu ameaças por conta de seu personagem
O criador do herói, Luciano Cunha, já sofreu ameaças por conta de seu personagem

Luciano Cunha – O Doutrinador é um ex-militar, perito em explosivos, arte marciais, tiro, enfim, um super soldado. Mas é um homem profundamente solitário e vazio, que se revolta… Bom, aí é legal o leitor conhecer a história ilustrada, né?

Folha Z – Como funciona a publicação do personagem (online e impresso)?

Luciano Cunha – Desde abril de 2013 são dois posts semanais no Facebook. Em janeiro eu compilei todos os posts até então e fechei um primeiro arco de histórias, resultando na primeira edição impressa de luxo, com 84 páginas, que está à venda na fan page ou pelo e-mail [email protected]

Agora está sendo postado o segundo arco de histórias, chamado Dark Web. E vou seguir o mesmo caminho: quando atingir um número suficiente de posts vou publicar mais uma edição impressa.

Folha Z – O personagem ganhou uma força enorme. A fan page tem quase 35 mil curtidas. O Doutrinador já apareceu até em notícias internacionais. Fale um pouco sobre isso.

Luciano Cunha – Foi uma surpresa pra mim, pois comecei a postar completamente despretensioso. Mas acho que as pessoas se espelham na mesma indignação que sinto e isso foi compartilhado, literalmente. O estilo da arte também ajuda. É uma linguagem quase cinematográfica, modéstia à parte.

Folha Z – O Doutrinador pode ser considerado um herói, no estilo Marvel / DC? O que ele apresenta de novo em relação aos mitos do herói e o que ele mantém?

Luciano Cunha – Não, ele é um anti-herói, cheio de defeitos, limites e hesitações como um homem comum. Na verdade não acho que ele apresente nada de novo em relação à mitologia heroica. A única novidade mesmo é que é um personagem genuinamente brasileiro. Tudo em sua história é brasilidade: os cenários, os personagens, a corrupção, a sujeira.

Folha Z – Saindo do personagem e indo para o autor. Já sofreu ameaças ou repressão por conta desse personagem?

Luciano Cunha – Sim, algumas mensagens bobas pelo Facebook e um processo por incitação à violência numa delegacia em SP, já arquivado.

Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos - francizeppelin@yahoo.com.br
Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos – [email protected]

Folha Z – A internet é um lugar onde as pessoas são valentes e falam tudo o que querem. O que de mais absurdo já falaram na fan page sobre o personagem?

Luciano Cunha – Nossa! Se for contar aqui vai preencher todo o espaço. É melhor pular esta parte. O mais prazeiroso é que 95% das mensagens são de apoio e elogios, isso é muito gratificante.

Folha Z – Você se identifica com o personagem? Você vai para rua, protesta, briga por um País melhor?

Luciano Cunha – Bom, excluindo a parte bélica, do treinamento militar e especialidades táticas, sou totalmente o personagem. Sempre que posso estou nas ruas tentando um País melhor pra minha filhota.

Folha Z – Só para fechar, em quem o Doutrinador vai votar esse ano?

Luciano Cunha – O voto do Doutrinador, assim como sua identidade, é secreto (risos).

Gostou? Confira a fan page do personagem CLICANDO AQUI.

Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos – [email protected]

 

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