Delegado Waldir não será o salvador da Pátria

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Delegado Waldir deixou o PSDB para poder concorrer à Prefeitura de Goiânia (Foto: Alexssandro Loyola)
Delegado Waldir deixou o PSDB para poder concorrer à Prefeitura de Goiânia (Foto: Alexssandro Loyola)

Discutindo o delegado Waldir na padaria

Um diálogo corriqueiro entre dois trabalhadores na manhã de hoje, enquanto devoravam pão com ovo na padaria, serviu-me como inspiração para abordar a sucessão municipal de Goiânia por outro ângulo. O jovem virou para o mais velho e disparou: “Vou votar nesse delegado Waldir porque ele não tem medo de cara feia, vai enfrentar os malas e enquadrar os corruptos”. Falou com propriedade, com a certeza de que grande parte dos problemas da capital goiana será resolvida com o pulso forte do pré-candidato do PR.

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O que você vai ler a seguir é um resumo do que respondi aos dois amigos quando minha opinião foi solicitada, afinal notaram a perplexidade no rosto. Disse-lhes que tinham todo direito de procurar um nome novo na disputa eleitoral, alguém com um perfil diferente. E o paranaense Waldir Soares de Oliveira, 53 anos, deputado com a maior votação da história de Goiás para a Câmara Federal (274 mil e 625 votos), se enquadra nesse contexto. Agora jamais deveriam elegê-lo apostando na figura do salvador da Pátria, no prefeito capaz de resolver, no grito, todos os problemas.

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Ex-prefeito Iris Rezende (Foto: Reprodução)

Gargalos dos governantes

Expliquei aos trabalhadores as diferenças básicas entre as atribuições de um parlamentar e de um prefeito. Não fugi dos exemplos. Contei a aflição do ex-prefeito Iris Rezende por ter prometido “consertar o transporte coletivo de Goiânia em seis meses” e, ao final, ser obrigado a reconhecer que promoveu apenas avanços localizados. Também falei do grande fiasco cometido na segurança pública pelo governador Marconi Perillo e seu vice José Eliton. Politizaram as ações no setor e não se preocuparam com o baixo efetivo das Polícias Civil e Militar, menos da metade do mínimo necessário (20 mil) para combater a bandidagem nos 246 municípios.

Como a conversa já chamava atenção de outras pessoas, fui direto ao ponto: o voto no delegado Waldir pode significar preferência pelo diferente, pelo prazer de experimentar algo novo, porém nunca por suas promessas inconsistentes. Aliás, quase tudo o que se diz sobre segurança pública tem cheiro de falácia. Pré-candidato do PSB em Aparecida de Goiânia, o deputado Marlúcio Pereira teve a ousadia de declarar que a Prefeitura, caso ele vença a eleição, “irá assumir o problema de qualquer jeito, mesmo ignorando dispositivos constitucionais, para atender o anseio da população”.

Sinceridade explícita

Já levantando das cadeiras, os trabalhadores ouviram a última observação: “Ainda não tenho candidato definido, o cenário não é dos mais animadores, portanto estou longe de defender qualquer postulação. Peço apenas que reflitam bastante na distância entre o possível e o inalcançável”.

A resposta do jovem ao meu apelo foi curta e objetiva: “Sabemos dos excessos do delegado Waldir, fazem parte da encenação do candidato. Ele tem chance de vencer mais pelas deficiências dos outros”. Pensei: contra sinceridade explícita não há argumento. O futuro de Goiânia – maltratada nos últimos anos – ao eleitor pertence.

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