Entre a cruz (PSDB) e a espada (PT) ninguém sai ganhando

José Carlos Barreto
José Carlos Barreto

Quem conhece a história nacional vai ver muita semelhança com as graves crises políticas de antes e com as manifestações golpistas de ontem por todo o Brasil. Um verdadeiro perigo para essa insipiente democracia tupiniquim.

Quando falamos em golpismo é porque forças derrotadas tentam por pressão, se utilizando de massas de manobras, tentarem assumir um poder que o voto democrático não deu na apuração da eleição recente. Não fazem o “minha culpa”, mas apelam para o “tua culpa” na derrota e vão se impondo na contramão da vontade da maioria e da própria democracia. E se fosse ao contrário?

A história nos faz voltar aos anos da década de 40. O inimigo era o Nazismo na Europa. O Brasil de Getúlio relutava em entrar no conflito até por falta de equipamentos para o Exército Brasileiro entrar no conflito. Os nazistas também tinham interesse nos países do cone sul, especialmente porque o Brasil tem um litoral abrangente no Atlântico Sul. Os americanos ficaram muito preocupados com a posição estratégica do Brasil para o conflito, se pendêssemos para o Nazismo, o país seria uma ponta de lança nas Américas. Complicando muito o conflito.

Pois bem, submarinos alemães torpedearam covardemente navios mercantes brasileiros na costa do país. Até hoje, existe controvérsia sobre esses torpedeamentos. O fato é que multidões foram para as ruas pedir que o Brasil entrasse na guerra. Depois os Estados Unidos da América muito generosamente emprestaram verba, equipamentos e transporte militares para que os pracinhas entrassem no conflito. Em contra partida os americanos tiveram livre acesso ao Atlântico Sul, utilizando-se da costa brasileira para controlar os mares e mais importante ainda, tomou conta de uma base aérea em Parnamirim (RN) de onde podiam atingir a África de forma mais rápida e econômica.

Havia já naquela época uma grande movimentação da CIA nos bastidores para que o Governo de Getúlio ouvisse a “manifestação das ruas” para decidir pelos Ianques e não pelos nazistas no conflito. Envolvidos pelas manifestações de rua, o país mandou os pracinhas para o velho continente lutar pela liberdade e pela democracia. Até aí tudo bem.

Já na década de 60, pressionado por “forças ocultas” Janio Quadros resolve renunciar. Na verdade queria que houvesse uma comoção popular para que meses depois pudesse voltar em triunfo e provavelmente sem a pressão das “forças ocultas”. Não deu certo. Ele não voutou, pois aproveitando que o vice-presidente João Goulart estava em missão oficial de negócio na China, os militares brasileiros aproveitaram para dar o golpe de estado.

Novamente as massas foram para rua pedindo a posse do vice-presidente Jango. Mas na época havia a guerra fria entre o capitalismo americano e o comunismo soviético, como os militares não tinham um motivo explicito para um golpe a não ser de aproveitar a oportunidade e tomar o poder constituído até então democraticamente, taxaram João Goulart como comunistas e que as forças militares estaria garantindo a “democracia” capitalista.

No vácuo do poder pequeno grupo comunista resolveu também se mostrar no combate por um governo comunista. Outra vez as manifestações tomaram as ruas, dessa feita contra o “comunismo que surgia”.

O Brasil esteve, novamente, brigando por forças externas da nossa fronteira. De um lado as Forças Armadas equipadas e treinadas pelo Exército Americano e de outro grupo de jovens divididos em facções, mal equipados e sem grandes preparos, lutavam através do comunismo com base ideológica cubana. Foi um massacre histórico daquela juventude.

Novamente manifestações legítimas, sem cunho ideológico pediam a volta da democracia. Mas qualquer movimento contra a ditadura automaticamente era taxada de comunista. Simples e pratico assim. Havia na população um pânico ao comunismo exortado pela propaganda internacional americana.

O Brasil pela segunda vez pende para o lado americano, agora não por vontade do governo, mas pela vontade das armas. Nos dois momentos da nossa história a influência da CIA nas manifestações e através da mídia utilizou pessoas insatisfeitas como massa de manobra para interesse puramente político no tabuleiro de xadrez internacional. Inclusive é comprovado que agentes da CIA ensinavam aula de tortura para os opressores do regime.

Agora, a história volta PERIGOSAMENTE a se repetir. Manifestações de grupos nitidamente ligados a direita, saudosa dos anos de chumbo, tentam através de manifestações ditas populares ligadas ao partido derrotado do PSDB, tomar o PODER NA MARRA, ganhar no tapetão, uma vez que perderam no voto democrático para que o PT se mantenha no poder. Isso é golpe! Tentativa de golpe de uma minoria barulhenta que conta com apoio da parcela da mídia conservadora.

Assim como no caso do Presidente João Goulart, precisam criar um motivo para justificar a tentativa de golpe, um deles é relacionado à corrupção que existe na cúpula petista, mas também existiu corrupção nos governos do PSDB, segundo afirmam, ainda piores do que as praticadas agora. A bem da verdade, desde o descobrimento a corrupção é o câncer que sempre sangrou esse rico país.

Só que o motivo mais apaixonado apresentado pelos golpistas de hoje novamente tem dois lados: O lado do capital americano com o Neo Liberalismo do PSDB e o socialismo de esquerda com cunho bolivariano.

Até que ponto já não tem os dedos da CIA para desestabilizar um governo legitimo numa frágil democracia brasileira, temerosos de uma possível guinada para a esquerda internacional?

O pequeno grupo golpista que pode estar sendo massa de manobra para interesses internacionais, já promove até o preconceito contra irmãos nacionais, incluindo sugestão separatista da nossa república. Quem diria Brasil, a que ponto chegou.

Por outro lado poderão com essas atitudes incentivar a outros grupos reacionários de esquerda a pender de vez para o golpismo bolivariano. Jogando o Brasil numa guerra civil sem precedentes onde todos nós vamos sair perdendo, para deleite das nações imperialistas que querem sempre nos ver agachados, no eterno terceiromundismo.

Muitos dos leitores podem estranhar, mas na verdade não sou de direita, muito menos da esquerda que está aí. Sou pela verdade, pela democracia, pela independência e pela soberania!

Quem viver verá. A história se repete!

Por José Carlos Barreto

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