Qual o risco de investir em Goiânia?

José Carlos Palma Ribeiro
José Carlos Palma Ribeiro

A cada dia novas intervenções modificam o trânsito e áreas de estacionamento em ruas e avenidas importantes da nossa capital. Essas obras geram mobilização popular porque colocam em pauta questões delicadas como a criação de corredores exclusivos para ônibus do transporte público, interdição no trecho da obra por longo prazo, que por consequência prejudica o comércio local e toda a cadeia produtiva envolvida como empresários, empregados, fornecedores e sociedade em geral. Essas intervenções frequentes causam uma sensação de insegurança para investimentos em Goiânia.

As Avenidas Anhanguera, T-7, T-9, T-63 e Rua 10 tornaram-se vias com alto fluxo de trânsito graças ao desenvolvimento trazido pelo comércio, pois a atividade comercial fomenta o desenvolvimento dos bairros. Foi justamente o desenvolvimento provocado pelo comércio nessas vias que agregou valor imobiliário e fez com que cada vez mais pessoas se interessassem em instalar pontos comerciais nessas proximidades, sendo percebido não só ao longo da avenida, mas nas ruas paralelas, transversais e toda adjacência.

São anos de investimentos por parte dos comerciantes nessas avenidas. E um fator preocupante é que temos notado um descaso por parte dos gestores com colocações descabidas, termo que melhor define o argumento vazio, de que o movimento cai apenas durante o período das obras e que após alguns meses o comércio recupera sua movimentação e circulação novamente. Essas versões demonstram desconhecimento do que consiste um estabelecimento comercial e o que ele envolve além de pessoas que dependem financeiramente dessa atividade.

O Poder Público não pode ignorar o fato de que o comércio se instala de acordo com as necessidades da população local. Não considerar isso, é no mínimo uma falta de sensibilidade e de reconhecimento com a categoria que impulsiona a economia dos municípios. Reclamamos a falta de respeito com nosso segmento ao não sermos consultados diante de intervenções relacionadas aos nossos negócios. Defendemos a necessidade do diálogo, da apresentação de alternativas, sabemos que existem várias. Tudo pode ser conversado e negociado. Pois um fator preocupante é a fuga de empresas pequenas, médias ou de grande porte para cidades vizinhas, que oferecem ótimas condições de estabelecimento e mais segurança de investimento.

Algumas leis estão ultrapassadas e os gestores não se dão ao cuidado de avaliar o quanto essas leis deixam a desejar nos dias atuais, principalmente para uma cidade como Goiânia que se desenvolveu rapidamente. O Sindilojas se coloca ao lado de todos os lojistas que se sentem prejudicados. Vamos tomar as providências necessárias para defender e apoiar nossos comerciantes varejistas.

Pelo princípio democrático os direitos de todos devem ser resguardados. Não há que prejudicar uma parcela da população para beneficiar outra, há que se beneficiar a todos. Afinal, somos todos cidadãos e depositamos nosso voto de confiança em um governante que deve governar para todos. A sensação de insegurança de investimentos em Goiânia coloca em dúvida aonde adquirir um ponto comercial na cidade. Várias alternativas e soluções poderiam ser adotadas, como os corredores implantados no centro das Avenidas 90 e Anhanguera, por exemplo, além da opção de recuos e rebaixamento dos meios-fios. Sugestões e boas alternativas nascem do diálogo.

Reconhecemos a necessidade de soluções para os problemas de mobilidade urbana, mas essas intervenções não podem ignorar o comércio local. Este é o principal papel do seu sindicato e o mais importante serviço que prestamos à nossa categoria, a representatividade.

José Carlos Palma Ribeiro / Presidente do Sindilojas Goiás

 

 

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