Sessão da Comissão de Finanças, Orçamento e Economia nesta 4ª feira (10) | Foto: Reprodução

Câmara de Goiânia prova, mais uma vez, que falta decoro — e sobra vaidade

O episódio entre Aava Santiago e Anselmo Pereira, ocorrido na Comissão de Finanças da Câmara de Goiânia, mostra mais do que um simples mal-estar.

Atenção: Ao copiar material produzido pela Folha Z, favor citar os créditos ao site. Bom jornalismo dá trabalho!

Ele expõe a dificuldade do Legislativo em manter o foco no mérito dos projetos quando o ambiente político está cada vez mais suscetível a ruídos, percepções pessoais e disputas de narrativa.

O gatilho foi a discussão sobre crédito adicional de R$ 21 mil para despesas vinculadas a PPPs.

Um item de baixa complexidade técnica, rotineiro no orçamento, acabou se tornando palco de um conflito que poderia ter sido evitado.

“Questões hormonais”

A declaração de Anselmo sobre “questões hormonais” não apenas desviou o debate, também colocou em xeque o tom da discussão e trouxe contornos desnecessários para uma reunião cujo objetivo era estritamente técnico.

Aava respondeu no ato, cobrando isonomia, lembrando que tal colocação não seria feita a colegas homens.

É o tipo de confronto que, na prática, nada acrescenta à tramitação do projeto, mas reverbera politicamente.

Do outro lado, Anselmo insistiu que estava no horário, que cumpria suas obrigações e que não havia vícios no processo.

A vereadora sustentou que faltavam pareceres da Sefaz no Sistema, abrindo mais uma frente de divergência, agora no campo procedimental.

O pano de fundo é claro: a CFOE, uma das comissões mais estratégicas da Casa, tem registrado sessões tensas.

Quando parlamentares passam a disputar versões em vez de analisar fatos, a pauta se torna secundária.

Vereadora Kátia Maria

O voto contrário de Kátia Maria, que pediu arquivamento, reforça a pluralidade de visões dentro da comissão, mas também mostra que, mesmo em temas menores, o ambiente está fragmentado.

O que deveria ser análise objetiva de adequação orçamentária virou combustível para constrangimentos públicos e troca de farpas.

Mais do que um episódio isolado, o caso revela o quanto a Câmara tem enfrentado dificuldade em estabelecer padrão de debate mais profissionalizado.

E, quando isso não acontece, qualquer ruído vira pauta, e, pior, vira desgaste.

No fim, a pergunta que fica é: quem ganhou com essa discussão?

Certamente não o debate sobre as PPPs.

E, muito menos, a imagem da Casa.


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