“A minha convicção é de que houve estupro”, diz delegada sobre o caso do Rio

"Os vestígios se perderam em razão dos vários dias que se passaram. Mas a polícia não pode afirmar que não houve lesão só porque o laudo não constatou", afirmou a delegada. | Foto: Divulgação
“Os vestígios se perderam em razão dos vários dias que se passaram. Mas a polícia não pode afirmar que não houve lesão só porque o laudo não constatou”, afirmou a delegada. | Foto: Divulgação

Em entrevista na tarde desta segunda (30), a delegada Cristiana Bento, que assumiu as investigações do caso de estupro de uma jovem de 16 anos, disse não ter dúvida de que o crime aconteceu.

“A minha convicção é de que houve estupro. Está lá no vídeo, que mostra um rapaz manipulando a menina. O estupro está provado. O que eu quero agora é verificar a extensão desse estupro, quantas pessoas praticaram esse crime”, afirmou a delegada.

Cristiana é titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) e alegou que o processo está em segredo de Justiça. Por essa razão, ela não dará acesso às declarações prestadas pela vítima e pelos suspeitos. A delegada afirmou ter pedido a prisão temporária de seis suspeitos envolvidos no crime e que já havia indícios suficientes para justificar o pedido.  “O vídeo prova o abuso sexual. Além do depoimento da vítima.”

Prazo de cinco dias

De acordo com os policias, a perícia do IML foi prejudicada por causa do tempo decorrido entre o crime e o exame.  “Não foram colhidos indícios de violência, o que não quer dizer que ela não aconteceu”, disse o chefe da Polícia Civil. A diretora do IML confirmou que os peritos procuraram material biológico dos estupradores no corpo da vítima e não encontraram. Diversos fatores, segundo ela, interferem nessa questão, desde o uso de preservativos até o tempo decorrido para o exame.

“O prazo de cinco dias dificulta muita coisa. Quanto mais próximo da violência for o exame, mais fácil é a gente detectar qualquer vestígio. O corpo tem reações que são muito fugazes, desaparecem rapidamente. Então, quanto mais próximo da lesão for o exame, maiores as chances de produzir provas técnicas”, disse Adriane Rego, diretora do IML.

Cristiana comentou uma outra possibilidade para a falta de vestígios no corpo da adolescente: “Como ela estava desacordada, não vai haver lesão porque ela não ofereceu resistência. Por isso o laudo não é determinante.”

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Cinco foragidos

Ainda de acordo com Cristiana, um dos seis suspeitos que são procurados já foi identificado e está sendo encaminhado à delegacia. Os outros cinco estão foragidos e alguns não estavam no endereço que contaram à polícia em seu depoimento.

“Independentemente da investigação pelo envolvimento com o tráfico, há o interesse de que sejam investigadas e ouvidas nessa investigação comandada pela doutora Cristiana,” disse o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso.

Isabela Albuquerque, repórter do Folha Z, dá sua opinião sobre o caso:

isabela albuquerque
Isabela é graduanda no curso de Letras da UFG e aspirante a jornalista

A notícia gerou revolta na semana passada e expandiu os debates sobre a cultura do estupro, tão normalizada em inúmeros países. Uma menina de 16 anos emocionalmente abalada não deveria ser xingada por estar “no lugar errado” em “companhias erradas” e “usando roupa curta” após algo tão terrível ter acontecido com seu corpo.

Deve-se acreditar em seu depoimento e nas imagens horríveis espalhadas pela internet. Jamais poderíamos duvidar de suas palavras por causa da sua condição financeira. A mulher violentada jamais deveria ser culpada pelo ato de seu violentador. Enquanto houver pessoas com esse pensamento, não poderemos nos livrar da cultura do estupro e nos crimes horrendos que ela propaga.

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