Assembleia, dilema e propaganda – Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Rodrigo Jogo Limpo

 

Assembleia Legislativa de Goiás (Foto: Carlos Costa/Alego)
Assembleia Legislativa de Goiás (Foto: Carlos Costa/Alego)

Muito tem se discutido sobre o embate na Assembleia Legislativa entre deputados governistas e oposicionistas. No mínimo cinco bate-bocas quase se transformaram em agressões físicas envolvendo Santana Gomes (PSL) pela base e os adversários José Nelto (PMDB), Adib Elias (PMDB) e Luiz César Bueno (PT). Os deputados novatos, em sua maioria, estão acuados entre as medidas impopulares adotadas pelo Governo Marconi Perillo e a falta de perspectiva para acomodações políticas no horizonte.

Reservadamente, um deles desabafou na manhã de hoje enquanto comia pão de queijo em uma cafeteria do Setor Oeste. “Sou marinheiro de primeira viagem. Fica difícil enfrentar as feras da oposição sem argumentos e com o gabinete cheio de currículos”. Sem querer, o deputado em questão tocou no ponto nevrálgico da vantagem oposicionista no plenário da Assembleia. Alguns parlamentares da situação mal saíram das fraldas na articulação política e são obrigados a justificar parcelamento de salários, greve de servidores, atraso e má conservação das obras.

Tem auxiliar no Palácio Pedro Ludovico sentindo imensa saudade dos ex-deputados Túlio Isaac e Carlos Alberto Lereia. Duas referências, aliás, em quem Santana Gomes tem se espelhado muito no primeiro trimestre da atual legislatura. Isaac e Lereia não pipocavam no confronto com a oposição e desviavam o tema para questões pessoais ou de aliados políticos quando o debate lhes era desfavorável. Essa estratégia funcionou por muito tempo. Ótimo para o governo, péssimo para os brigões que viram seus votos minguarem ao longo dos últimos anos.

Carlos Alberto Leréia (Foto: Divulgação)
Carlos Alberto Lereia (Foto: Divulgação)

São nesses fantasmas que os deputados novatos pensam quando estão diante de Nelto, Adib, Roller e Bueno. Até que ponto vale a pena defender um governo que está desmoronando? E o culpado não é propriamente o governador Marconi Perillo, que acabou de ser reeleito para o quarto mandato. O responsável pela derrocada administrativa tem cinco letras: TEMPO. Nada é tão resistente que consiga se prolongar por 16 anos sem gambiarras e fissuras. Dezesseis anos, sim, afinal, Marconi manteve boa parte do seu “staff” por quatro longos anos torpedeando Alcides Rodrigues.

O plenário da Assembleia é apenas a caixa de ressonância de um dilema que atinge os governistas em geral: reinventar um governo sem o ônus do inchaço na folha de pagamento, sem a luta desenfreada por espaços políticos, sem a flagrante queda na oferta de serviços públicos de qualidade e com a desconfiança do cidadão goiano diante da brusca mudança no cenário administrativo em seis meses.

A oposição ao governador Marconi Perillo na Assembleia Legislativa tem levado vantagem nessa batalha porque demonstra, com mais articulação e profissionalismo, que a peça “Quero morar na propaganda do Governo de Goiás”, exibida na última campanha, não fez tanto sucesso por acaso.

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