Bastidores de Brasília: Notícias do Poder com o jornalista José Marcelo

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Caixa na mira do MPU

O Ministério Público Federal ampliou para mais um ano o prazo para concluir o inquérito que apura irregularidades em uma manobra bastante vantajosa para a Caixa Econômica Federal. É que no início de 2014 o banco resolveu, unilateralmente, fechar mais de meio milhão de contas da caderneta de poupança, sob a alegação de que elas estavam sem movimentação desde 2012. O problema é que o banco ficou com os R$ 719 milhões que estavam depositados nessas contas, sob a alegação de que não conseguiu contato com os titulares.

Caixa na mira do MPU 2

Como o Ministério Público Federal não conseguiu concluir as investigações até esta sexta-feira, dia 23, foi preciso dilatar o prazo que agora se estende até janeiro de 2016. Até lá os procuradores querem responder à principal dúvida que envolve o caso: se a Caixa tinha autonomia para adotar a medida e quais mecanismos podem ser usados para localizar esse meio milhão de poupadores. É muita gente para o governo e o banco não saberem onde estão. A suspeita é que muitos deles nem sabem que tiveram o dinheiro incorporado pelo banco estatal.

Fique de olho

Por falar em cadernetas de poupança, o assunto deve voltar à pauta do Supremo Tribunal Federal, a partir do dia 2 de fevereiro, quando os ministros retornam ao trabalho, depois do recesso. Eles terão de decidir se os bancos devem ressarcir os clientes por perdas na correção da caderneta durante os planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II, nos anos 80 e 90. A ação se arrasta há anos e tira o sono até da equipe econômica do governo e do Banco Central.

Motivos do pânico

O motivo que leva Pânico aos membros da equipe econômica e às instituições financeiras é que se os ministros decidirem a favor dos poupadores, os bancos terão de desembolsar nada menos que R$ 23,3 bilhões para repor as perdas de quem fez depósitos nesse período. Se isso acontecer, há temor de quebra do sistema financeiros nacional. Algo parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos em 2009.

E agora?

O trocadilho é ruim, mas o apagão que deixou sete estados e do Distrito Federal sem energia esta semana acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto. Como o fato provocou uma reflexão sobre abastecimentos e revelou que a situação dos reservatórios das usinas hidrelétricas é pior do que na época do racionamento, no governo FHC, há quem defenda que o governo mobilize a população para que economize energia. Mas sem falar em racionamento, claro. É que o PT bateu feio no ex-presidente Fernando Henrique naquela época. Agora, seria necessário fazer o mesmo, mas com outro tom.

O problema

O problema, segundo uma fonte do Planalto, é que o atual governo passa por um momento delicado. Se deixar para depois, pode soar como irresponsabilidade. Se fizer isso agora, passa recibo para o PSDB. O uso das termelétricas e a importação de energia da Argentina são uma solução cara.  E a declaração do novo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, de que Deus é brasileiro, ao falar da crise energética, pegou mal dentro do próprio governo.

Os problemas

Mas o risco de desabastecimento energético está longe de ser o principal problema deste início de segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. A decisão do Banco Central de elevar a taxa de elevação da taxa de juros para 12,25% ao ano e o consequente encarecimento do crédito foi mais uma medida impopular. Enquanto lida com o aspecto negativo, o governo ainda se preocupa com uma possível pauta bomba nessa abertura do ano legislativo no Congresso.

Ao ataque

Parte do problema no Congresso estaria resolvida se o deputado federal e desafeto da presidente Dilma Rousseff, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não fosse eleito. As denúncias divulgadas nos últimos dias, envolvendo o nome do deputado em uma investigação da Polícia Federal é vista com esperança por uma ala do governo. Mas entre os petistas pessimistas existe a certeza de que isso não deve abalar a candidatura de Cunha. É que os parlamentares que elegerão o novo presidente não são considerados tão volúveis ou emotivos quanto a opinião pública. Até a semana que vem, a previsão é de mais noites mal dormidas no palácio da Alvorada, residência oficial da presidente Dilma Rousseff.

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