Coluna de Quadrinhos – Quadrinista, Vanessa Bencz, fala sobre sua HQ, Menina Distraída

Fazer uma HQ era um sonho de infância de Vanessa
Fazer uma HQ era um sonho de infância de Vanessa

A catarinense Vanessa Bencz é quadrinista e jornalista. Hoje com 29 anos, lembra que sofreu bullying em seus tempos de escola – quando ainda nem existia esse termo. E foi pensando nisso e pensando em todos que passam por esse problema, que ela resolveu criar a história em quadrinhos Menina Distraída.

Vanessa afirma que sempre quis fazer uma HQ e explica o porquê do tema. “Por muitos anos o foco da minha vida foi o jornalismo e a produção literária. Quando comecei a visitar escolas e a falar sobre bullying, resolvi que precisava elaborar um material para esse público e resolvi resgatar o sonho de infância de produzir uma HQ”. Para esta tarefa, ela convidou dois ilustradores, Fabio Ori e Denny Fischer.

Catarse

O material será lançado por meio do site de financiamento coletivo, Catarse. Para quem não conhece, este tipo de site funciona da seguinte forma: o autor cria um projeto e oferece recompensas pra quem apoiar. Para viabilizar o projeto, ele propõe uma valor. Se for alcançado ele é lançado e se não, o dinheiro é devolvido e a vida segue.

A quantia pedida pela autora já foi alcançada, então agora é só questão de tempo até a HQ chegar às bancas e na mão de quem apoiou. Em entrevista ao Folha Z, Vanessa falou um pouco sobre a HQ, suas influências e mais.

Confira a entrevista a seguir:

Folha Z – Quem são suas referências?

Vanessa Bencz – Gosto muito dos livros Persépolis, da Marjane Satrapi, e Maus, do Art Spiegelman. São quadrinhos em branco e preto com histórias reais que são verdadeiros socos na cara. Eu gosto muito dessa pegada realista e crua.

Folha Z – Você desenha também?

Vanessa Bencz – Eu desenho, mas ainda sou iniciante. Faço rascunhos, brinco bastante com o lápis 6B e com a aquarela, mas não posso me considerar uma ilustradora.

Menina Distraída utilizou o site de financiamento coletivo, Catarse, para ser produzida
Menina Distraída utilizou o site de financiamento coletivo, Catarse, para ser produzida

Folha Z – Como surgiu o projeto Menina Distraída?

Vanessa Bencz – Eu demorei para entender que sofri bullying na adolescência. Quando essa palavra começou a pipocar na imprensa e na boca dos professores e psicólogos é que eu entendi. Quando comecei a pensar sobre a expressão “bullying”, levei um susto. De repente, me vi vítima. E eu não gosto desse papel, porque geralmente é carregado de fraqueza e submissão. E eu não me considero nada disso. Quando lancei meus livros, em 2012, comecei a visitar as escolas públicas de Joinville para falar sobre literatura. Mas a coisa cresceu e literatura era apenas uma desculpa para começar o papo. E o tema que mais sensibilizava os alunos era o tal do bullying. É uma ferida aberta – e acredito que sempre vai estar aberta, até que as escolas tenham uma postura mais responsável e ativa sobre isso. Por isso, resolvi que ia me abraçar nesse tema e elaborar uma ferramenta para discussão nas escolas. Foi assim que Menina Distraída surgiu.

Folha Z – O que pode nos falar desta história?

Vanessa Bencz – A protagonista se chama Leila. Ela tem 14 anos, ama desenhar e é a pessoa mais avoada do mundo. Ela tem uma melhor amiga gordinha que sonha em ser atriz. De vez em quando, Leila anda com uma garota que vive faltando as aulas e sempre aparece com uns machucados estranhos. Tem, também, o valentão que vai fazer de tudo para zoar Leila, até que ela tome uma iniciativa inesperada. Uma das personagens é a super-heroína Mulher Raio, mas ela existe apenas nos desenhos da Leila – é como se fosse um alter ego ideal para a menina. Claro que tem também o professor zoador, a diretora politicamente correta e uma bibliotecária que vai encher a cabeça de Leila de ideias. A história se desenvolve quando a menina distraída resolve dar um basta nessa situação e toma uma iniciativa bem irreverente – que não posso revelar por enquanto (risos).

Folha Z – Por que optou pelo Catarse?

Vanessa Bencz – Porque financiamento coletivo é uma coisa nova para mim e eu queria experimentar. Sem falar que é um método bem adequado para lançar um material independente, sem precisar de uma editora convencional.

Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos - francizeppelin@yahoo.com.br
Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos – [email protected]

Folha Z – O que pode dizer sobre esse site de financiamento coletivo? Costuma apoiar muitos projetos (só de quadrinhos ou de outros tipos?)

Vanessa Bencz – Apoio aquilo que me conquista, que me emociona. Costumo também apoiar os projetos dos meus amigos, daqueles que sei que são produtores responsáveis e criativos. Financiamento coletivo é o futuro – ainda vamos construir muitas coisas através disso!

Folha Z – Além deste projeto, já tem mais alguma coisa em mente?

Vanessa Bencz – Sim, já penso na continuação d’A Menina Distraída e no fortalecimento desta campanha antibullying.

O projeto Menina Distraída ainda está no ar, mas só por mais alguns dias. Quem quiser conhecer a apoiar clique AQUI.

Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos – [email protected]

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