Em Goiás teremos uma polícia civil ou duas? O momento é decisivo

Texto escrito por Robson Barceloni Saraiva (agente de policia)

Atualmente temos duas policias civil em Goiás. Uma que representa menos de 15% do total do efetivo com salários atualizados, plano de carreira em andamento, com um dos melhores salários do país, recebendo abono de produtividade mensalmente, ou seja, valorizada e motivada. A outra polícia civil composta por agentes e escrivães que representam cerca de 85% do efetivo com salários sem aumento real a mais de sete anos, até mesmo reposições inflacionárias determinadas pela lei devidas a mais de cinco anos, sem receber bônus de produtividade sobre serviços que farão em conjunto com os delegados de policia e serão pagos somente a eles, salário inicial que já foi o segundo melhor do ranking entre os estados da federação e hoje se encontra entre o décimo terceiro a décimo quarto e caindo devido as perdas acumuladas, uma pequena reestruturação de carreira acordada (esperamos que seja cumprida) depois de dois meses, eu disse dois meses de greve, enquanto delegados conseguiram muito mais em dois dias, eu disse dois dias de negociação. Então eu pergunto, essa segunda polícia está valorizada ou motivada como a primeira? Qual o motivo da diferença de tratamento?

Nova política de administração

A situação é insustentável e o reflexo dentro das delegacias e da instituição como um todo é inevitável e se refletirá em cada ocorrência registrada ou operação realizada. Esperamos que agora com uma nova direção dentro da secretaria de segurança – dirigida por um profissional experiente que conhece o trabalho policial e que sabe que não é com propagandas ou discursos que o serviço policial produz resultados-, uma nova política de administração e valorização dentro da instituição também se estabeleça.

Será agora constituída uma comissão para estudo e reestruturação das carreiras da polícia civil, o que desde já merece da categoria ao novo secretário de segurança gesto de confiança e reconhecimento, pois demonstra interesse para resolução dos problemas existentes que foram herdados pelo atual secretário e dos quais logicamente não possui culpa. A categoria estará acompanhando atentamente o desenvolvimento dos trabalhos e as soluções encontradas pelo governo e representantes classistas, esperamos que seja sério, não aquele jogo de reuniões que marcam reuniões, que desmarcam reuniões e remarcam reuniões, esse já conhecemos muito bem e foi o que originou o movimento grevista. Somos esperançosos que novas visões administrativas se imponham, que promessas de campanha eleitoral sejam cumpridas. Afinal somos policiais, lutamos e nos arriscamos todos os dias pelos outros, imagine se não faremos por nós mesmos.

Compromissos com a categoria

Esperamos que o governo que conhece melhor do ninguém toda a situação aqui exposta e que conhece também melhor do que ninguém os compromissos assumidos com a categoria, e não somente com os delegados, possa agora tratar de forma igual toda a instituição. Pois é ilusão achar que se pode tratar de forma diferente e se querer cobrar de forma igual, afinal o governo conhece o poder da motivação profissional para obtenção de resultados, a prova disso foi a concessão de produtividade aos delegados de policia.

Espero que a Polícia Civil possa voltar a ser uma, ainda tenho esperanças que será assim.

 

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