Indecência chamada Credeq

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Fachada do Credeq de Aparecida de Goiânia: dois seguranças para evitar depredações e invasão do local (Foto: Folha Z)
Fachada do Credeq de Aparecida de Goiânia: dois seguranças para evitar depredações e invasão do local (Foto: Folha Z)

Revolta e indignação

Desculpe o desabafo, a insistência, a revolta e a indignação. Ainda não descobri qual palavra é mais apropriada para resumir meu estado de espírito diante da indecência chamada Credeq de Aparecida de Goiânia. Para quem ainda não sabe, trata-se do Centro de Referência e Excelência em Dependência Química, promessa de campanha do candidato Marconi Perillo em 2010. Construído há dois anos, o palacete permanece fechado, mas já recebeu R$ 5 milhões dos cofres públicos.

Aberração e descaso

Assunto abordado reiteradas vezes neste espaço, o misto de absurdo com irresponsabilidade ganhou o apelido de Credeq Safadão: 99% pronto, perfeito, mas o problema residia no 1% vagabundo. Confesso que não imaginava a aberração sendo ainda maior. Graças à ação do promotor de Justiça Fernando Krebs, que instaurou inquérito civil público para investigar os repasses feitos ao Credeq, e também ao trabalho da repórter Gabriela Lima (O Popular), o descaso com o dinheiro do contribuinte ganhou visibilidade.

Segundo jornalista do Pop, a organização social que deveria gerir o Credq Aparecida recebe recursos desde 2014, incluindo o salário de 21 funcionários / Foto: reprodução
Segundo jornalista do Pop, a organização social que deveria gerir o Credeq Aparecida recebe recursos desde 2014, incluindo o salário de 21 funcionários / Foto: reprodução

Transparência zero

A jornalista não só relembrou o roteiro do empurra-empurra de seis anos que cerca uma obra de quase R$ 30 milhões – etapas também abordadas pelo site Folha Z – como agregou os gastos exorbitantes com salários de R$ 6 mil, R$ 8 mil, R$ 9 mil e R$ 10 mil, 21 cargos no total. A investigação levou os responsáveis a retirarem os dados do site do Credeq e ainda provocou silêncio ensurdecedor nos auxiliares de um governo que se auto-denomina de “primeiro mundo” nas áreas de transparência e comunicação.

Justificativas oficiais

Na única nota elaborada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), as digitais de uma gestão pública que subestima a inteligência dos cidadãos goianos. Sem abrir as portas, os milhões do Credeq foram gastos com dois softwares para sistema de gestão hospitalar, contratação de empresa para realização do processo seletivo dos servidores, treinamento de pessoal, publicação de ofícios obrigatórios, contratação de empresa para auditoria e, finalmente, encargos referentes à folha de pagamento.

Área complexa e delicada

Seria cômico se não fosse trágico. O Governo de Goiás, irresponsavelmente, não dá importância a uma área complexa e delicada. Milhares de dependentes químicos permanecem sem atendimento digno enquanto as autoridades utilizam a imagem da Associação Luz da Vida como escudo para efetivação de medidas obscuras e injustificáveis. Muito me estranha, aliás, a conivência de uma entidade que alega desenvolver trabalho de recuperação de dependentes químicos há mais de 18 anos, portanto de comprovada experiência.

Halim Girade disse que “o Credeq é absolutamente inovador, não existe nada semelhante no país”. Inovação milionária e trancada a sete chaves? / Foto: Governo de Goiás
Halim Girade disse que “o Credeq é absolutamente inovador, não existe nada semelhante no país”. Inovação milionária e trancada a sete chaves? / Foto: Governo de Goiás

Luz à vida de quem?

Titular da SES na época da assinatura do contrato, Halim Girade disse que “o Credeq é absolutamente inovador, não existe nada semelhante no país”. Inovação milionária e trancada a sete chaves? Luz à vida de quem? Repito a mesma observação feita à época da polêmica envolvendo a condição de funcionário fantasma, por 20 anos, do padre Luiz Augusto na Assembleia Legislativa, coincidentemente fundador da Associação Luz da Vida: os fins jamais podem justificar os meios.

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