Na marca do pênalti – Vender jogos não é a solução. Dinheiro não é tudo.

Na marca do Pênalti

 

O presidente do Goiás, Sérgio Rassi, confirmou a mudança do jogo contra o Corinthians, válido pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro série A, para o estádio Mangueirão, em Belém/PA.

Com a pior média de público entre os 20 times da série A, pouco mais de seis mil pagantes por jogo, a diretoria busca, acima de tudo, ganhar um bom dinheiro com a renda da partida no Pará. Fato que não tem acontecido nos jogos no Serra Dourada.

Sem receber grandes equipes para jogar no Mangueirão, muito em razão da fase ruim em que passam Remo e Paysandu (esse agora conquistou o acesso à série B), a sacada do presidente esmeraldino pode render um bom dinheiro ao clube. Já foram vendidos mais de 15 mil ingressos de forma antecipada.

Com os preços dos ingressos definidos em R$50 nas arquibancadas e R$100 nas cadeiras, o presidente Sérgio Rassi ousou em não vender o jogo para uma das Arenas da Copa do Mundo por um valor fixo e, sim, acreditar na boa presença de público do povo paraense, que há muito não vê o Timão jogar no Estado.

Fatores positivos

Com a perspectiva de arrecadar R$1 milhão com a partida, a ideia de mudar o local do jogo não é ruim. Dificilmente essa renda seria alcançada com o duelo jogado em Goiânia.

Outro fator que pesa a favor são os problemas que serão evitados pelo Goiás. Com a realização do jogo no Serra Dourada, haveria um grande número de corinthianos nas arquibancadas. Com o histórico recente de confusões entre as duas torcidas e as várias punições que a equipe goiana tem sofrido por causa de constantes brigas dentro do estádio, faz a mudança para Belém ser positiva, pois elimina esse risco.

Dinheiro, desgaste e time competitivo

Mas, também há motivos desfavoráveis a alteração do local do jogo. Com 44 pontos conquistados, o Goiás matematicamente ainda não está livre do rebaixamento e abdicar de um jogo em casa na reta final não é tão vantajoso.

Já a relação entre torcida e diretoria, que já não é das melhores, sofre mais um abalo. Com o baixo nível técnico do Goiás nesta temporada, tirar, como já fez contra o Flamengo quando mandou a partida em Cuiabá, um dos poucos jogos de interesse e contra um grande time do Serra Dourada, desanima ainda mais o torcedor.

Usar como premissa o pequeno público do Goiás no campeonato e a falta de dinheiro da equipe, que passou o ano sem um patrocinador máster, também não servem mais como desculpa.

Para amenizar a situação, ou melhor, para resolver o problema de falta de torcedores e ganhar dinheiro com os jogos em casa é bem melhor tentar procurar o porquê da ausência do torcedor esmeraldino nas arquibancadas. Talvez seja por que o time é fraco, não briga por título de expressão, perdeu uma vaga ganha na Libertadores desse ano, não fez nenhuma contratação de peso, perdeu o título invicto do Goianão no último minuto e viu a diretoria ser omissa durante toda a temporada.

O torcedor realmente precisa abraçar o time, mas a relação está desgastada. Campeonatos goianos e os títulos da série B não credenciam uma equipe como grande.

A torcida esmeraldina, que sempre optou pelos grandes jogos e encheu muitas vezes o Serra Dourada por causa de bons confrontos, precisa de apenas um motivo para ir ao estádio: ver o Goiás forte e competitivo.

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