Trajano, capítulo à parte da crônica esportiva

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Cronista José Trajano (Foto: Reprodução/Youtube)
Cronista José Trajano (Foto: Reprodução/Youtube)

Assim como Juca Kfouri, parceiro de muitos anos nos debates esportivos no rádio, jornal e televisão, o comentarista José Luiz Trajano protagonizou histórias pitorescas em função da reconhecida ausência de papas na língua. Algumas passagens da carreira merecem destaque por sintetizarem o tempo dourado da crônica esportiva, período em que os profissionais tinham maior liberdade e independência para empunhar o microfone.

Os amantes do futebol se deliciavam com as sucessivas polêmicas entre profissionais da imprensa e dirigentes de clubes, mesmo quando duravam até o primeiro jantar, e também com as rusgas entre os próprios cronistas. Também não existia tanto patrulhamento em relação à convivência entre jornalistas e atletas, proporcionando deliciosas informações de bastidores. Confira parte das histórias que Trajano contou ao portal UOL Notícias.

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Falo, logo existo – José Trajano põe a língua no divã e conta tudo: das bebedeiras com Sócrates ao ciúme de Pedro Bial (Por Luiza Oliveira e Vanderlei Lima – Do UOL, em São Paulo)

Pedro Bial (Foto: Reprodução)
Pedro Bial (Foto: Reprodução)

O ciúmes de Pedro Bial e a distância dos filhos

Separações nunca são fáceis. Trajano sabe disso. Quando acabou seu primeiro casamento com a também jornalista Renée Castelo Branco, ele encarou a dor de ficar distante não só dela, mas também dos filhos. Marina e João se mudaram para a Inglaterra pouco depois por causa do novo casamento da mãe com Pedro Bial, que na época foi para Londres ser correspondente da TV Globo.

Bial vestiu o papel de pai e sempre tratou os enteados como seus próprios filhos, mas o ciúme de Trajano era da mulher. “Quando a gente separou, eu gostava dela, então isso aí demorou um pouco para mim. Então me deu mais ciúmes no sentido de eu com ela, do que ele com os filhos. Mas na hora também que senti que não queria mais nada com ela, passou, e que ele tratava muito bem dos filhos, falei ‘que bom, eles têm dois pais’. Queria eu ter dois, três pais. Quem não queria ter? Melhor que não ter nenhum, ou meio”, disse.

Mas hoje é tudo muito bem resolvido. “É uma relação muito boa, porque como ele trata meus filhos como se fosse um segundo pai, sempre fez muito bem a eles, eu só tenho a agradecer. Posso ter minhas diferenças com ele, ideológicas, mas isso nunca colocamos na mesa. A gente se encontra, se respeita”.

A distância dói até hoje e sempre vai doer, mas ele celebra a boa relação e, principalmente, a vida estruturada que hoje os filhos têm na Europa. João Castelo Branco é correspondente da ESPN na Inglaterra e Marina é professora e mãe da pequena Cora. “Na verdade a distância é uma merda, principalmente com as netas. (…) Nós tentamos adaptar, não tenho jeito de mudar isso. A não ser que eles me abriguem por lá, eu fico só no pub tomando uma cervejinha, e eles bancando tudo, arranjando cidadania e tal”, brinca.

Sócrates (Foto: Reprodução)
Sócrates (Foto: Reprodução)

Dividiu a casa e um barril de chope com Sócrates

Na década de 80, Trajano deu um tempo no jornalismo e decidiu se mudar para a Itália. A separação de Renée ainda estava latente, e a Itália era o lugar ideal para dar uma espairecida com a nova namorada. Lá morou em uma pensão e começou a frequentar a casa de Sócrates. Foram muitas noites entre vinhos e cervejas até que o jogador, que atuava na Fiorentina, o convidou para morar com ele.

Não demorou a arranjarem um barril de chope, que já começava a ser exigido nas primeiras horas da manhã. “Ele comprava um punhado de cervejinha pequena e, às vezes, deixava até do lado de fora, gelando. Tinha vez até que estourava, esquecia lá, porque fazia muito frio. Falei ‘pô, será que aqui não tem chope? Era melhor comprar um barril, deixava aqui na cozinha’. E ele comprou um barril. De manhã a gente já começava com o barril já”.

“O Sócrates era um cara muito peculiar, diferente, muito próprio. Ele não era para jogar bola: fumava, bebia, não fazia preparação física e ainda queria ficar acordado a noite toda. Pensava em outras coisas e ainda jogava pra burro. O Raí foi um atleta, o Sócrates não”.

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