
Influência na Assembleia de Deus pode ser determinante em cenário de polarização no estado
Rodrigo Augusto
O ex-senador Luiz do Carmo, que assumiu cadeira na Casa Grande justamente quando Ronaldo Caiado tornou-se governador após vencer as eleições de 2018, pode surgir como ponto de equilíbrio para o atual vice-governador e pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, Daniel Vilela (MDB), nas eleições de outubro, em eventual disputa direta com o senador Wilder Morais (PL)?
O Partido Liberal, comandado por Wilder em Goiás, é bem visto por parcela significativa dos protestantes.
Não é novidade.
O fenômeno tem endereço certo: o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que conquistou a simpatia de parte expressiva dos evangélicos ao defender as chamadas “pautas conservadoras”.
Leia também:
Luiz do Carmo afirma que grupo tem o “dever” de indicar o vice-governador
Luiz e Eurípedes do Carmo negam indicar nome para vice de Vanderlan: “Chance zero”
Podemos busca vice na chapa de Daniel Vilela e aposta em irmão do bispo Oídes
O slogan “Deus, Pátria, Família”, repetido à exaustão por Bolsonaro, ecoou com força nos templos cristãos, especialmente entre os evangélicos.
E esse eco ainda ressoa no cenário político goiano.
Em provável embate direto entre Daniel e Wilder na corrida pelo Governo de Goiás, Luiz do Carmo, pela influência que exerce no meio evangélico, poderá assumir o papel de fiel da balança nesse nicho do eleitorado?
Luiz é irmão de Oídes do Carmo, bispo e presidente da Assembleia de Deus Ministério Campinas.
E o rebanho liderado por Oídes está longe de ser pequeno.
Já contribuiu para eleger deputado estadual, deputado federal e até senador, considerando o próprio Luiz do Carmo, que era suplente de Caiado e assumiu a titularidade no Senado.

Luiz do Carmo é irmão do Bispo Oídes do Carmo, presidente da Assembleia de Deus Ministério Campinas | Foto: reprodução/Redes Sociais
Caso seja “ungido” por Deus e pelo governador Caiado para compor como vice, Luiz do Carmo terá pela frente o chamado “dever de casa”: transformar capital religioso em capital eleitoral.
A missão seria clara: assegurar fatia significativa dos votos evangélicos para Daniel, que é católico, mas transita com desenvoltura entre os popularmente chamados “crentes”.
Vontade de ser candidato a vice-governador, Luiz já sinalizou que tem.
Arrisco dizer: muita vontade.
A pergunta que permanece no ar é direta: Luiz do Carmo conseguirá atrair, em maior proporção, os votos dos evangélicos bolsonaristas para Daniel?
Se a resposta for positiva, ouso apontar que suas chances crescem em meio à polarização nacional, especialmente em um estado como Goiás, território politicamente conservador e de grande simpatia pelo bolsonarismo, sobretudo entre o eleitorado evangélico.

Luiz do Carmo foi deputado estadual junto com Daniel Vilela | Foto: Reprodução/Redes Sociais





