

Palavra empenhada entra no centro da crise entre tucanos e socialistas
A ofensiva do PSDB no Tribunal Regional Eleitoral contra a vereadora Aava Santiago ultrapassa os limites de disputa local e pode ganhar dimensão nacional.
A legenda ingressou com pedido de perda de mandato por infidelidade partidária, alegando que a parlamentar deixou o partido sem carta de anuência.
Aava afirma que soube da ação pela imprensa, que ainda não foi notificada oficialmente e que desconhece o teor da peça.
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Nos bastidores, a avaliação é de que a ida de Aava ao PSB não ocorreu sem articulação prévia.
A mudança partidária teria sido discutida em nível nacional, inclusive com diálogo envolvendo Marconi Perillo e Geraldo Alckmin.
O deputado Aécio Neves também estaria ciente de toda a articulação.
Havia, segundo interlocutores, uma engenharia política que envolveria troca de apoios em Pernambuco e outros estados, dentro de arranjo mais amplo entre PSDB e PSB.
A eventual cassação do mandato de Aava Santiago pode alterar diretamente o acordo informal costurado entre PSDB e PSB, ampliando a crise para além do ambiente jurídico.
O movimento é visto como potencial gatilho para tensionar a relação entre tucanos e socialistas não apenas em Goiás, mas também em nível nacional, onde havia entendimento político envolvendo lideranças das duas siglas.
O presidente nacional do PSB, João Campos, a deputada Tabata Amaral e o vice-presidente Geraldo Alckmin já estariam cientes da situação.

João Campos, Tabata Amaral e Geraldo Alckmin | Foto reprodução
A leitura interna no PSB é de que, caso o processo avance no Tribunal Regional Eleitoral, haverá reação política.
Ou seja: se a ação prosperar, o PSB pode “jogar pesado” com Marconi Perillo em Goiás, elevando o embate a um novo patamar.
A palavra empenhada
Aava sustenta que houve entendimento político prévio.
“Marconi me deu a palavra, e vou acreditar na palavra dele”, afirmou.
A defesa jurídica será feita após notificação formal.
O advogado Leonardo Felipe deve conduzir a estratégia no TRE.
O que está em jogo
O caso deixa de ser apenas discussão jurídica sobre carta de anuência e passa a representar:
Um teste de força entre PSDB e PSB
A estabilidade de acordos interestaduais
A autoridade de lideranças nacionais sobre decisões regionais
O peso da palavra empenhada na política
Se a ação prosperar e houver cassação do mandato, quem assume a vaga na Câmara de Goiânia é o suplente Michel Magul.

Nascido em Buenos Aires, na Argentina, Michel Magul mora em Goiás há mais de uma década | Foto: Divulgação





