Do descarte à oportunidade: pequenos negócios impulsionam a economia verde em Goiás

Dayrel GodinhoDestaque07, junho, 2026

A atuação da Desctec Natureza e Tecnologia evidencia como a gestão de resíduos eletrônicos tem fortalecido empreendimentos locais e gerado renda, inovação e impacto social - Foto: Ruber Couto

Leandro de Castro

Durante anos, Dario Hernan Ferrari trabalhou no mercado financeiro, onde números, relatórios e planilhas faziam parte da rotina diária. Até que uma pergunta aparentemente simples acabou mudando o rumo da sua trajetória profissional: o que acontece com tudo aquilo que a sociedade decide descartar?

A resposta estava espalhada por depósitos, quintais, empresas, órgãos públicos e até terrenos abandonados. Computadores sem uso, televisores quebrados, geladeiras estragadas e celulares ultrapassados formavam um cenário cada vez mais comum em um país que figura entre os maiores geradores de resíduos eletrônicos do mundo.

Enquanto milhões de equipamentos são descartados anualmente, Dario e seu sócio perceberam que esse problema ambiental escondia uma oportunidade ainda pouco explorada. Onde a maioria via apenas objetos sem utilidade, eles identificaram uma demanda crescente por soluções capazes de dar destinação adequada a materiais que, embora tivessem encerrado sua vida útil para os consumidores, ainda mantinham valor dentro de uma nova cadeia produtiva.

A percepção deu origem, em 2020, à Desctec Natureza e Tecnologia, empresa com sede em Goiânia especializada na gestão de resíduos eletroeletrônicos que hoje processa até 15 toneladas de materiais por mês e se tornou um exemplo de como pequenos negócios podem contribuir para o avanço da economia verde ao transformar desafios ambientais em desenvolvimento econômico e impacto social.

Entre toneladas de descarte eletrônico, um novo caminho

Dario Hernan Ferrari, cofundador da empresa Desctec Natureza e Tecnologia – Foto: Ruber Couto

A ideia que deu origem à Desctec nasceu em um momento de observação e curiosidade. O sócio de Dario, que já atuava há na área de Tecnologia da Informação, começou a perceber um movimento cada vez mais frequente no mercado, impulsionado pelo crescimento da procura por equipamentos seminovos à medida que novos produtos chegavam às prateleiras em velocidade cada vez maior.

A constatação despertou um questionamento que, à primeira vista, parecia evidente: se havia demanda por equipamentos usados, para onde iam os milhares de aparelhos substituídos diariamente por empresas, instituições públicas e consumidores?

Na busca por essa resposta, os dois empreendedores se depararam com uma realidade pouco conhecida pela maior parte da população. O avanço tecnológico que facilitava a vida das pessoas também produzia uma quantidade crescente de resíduos eletrônicos, muitos deles descartados de forma inadequada ou simplesmente armazenados por anos em depósitos, quintais e galpões.

Ao mesmo tempo, perceberam que existiam poucas iniciativas estruturadas para lidar com esse material de forma ambientalmente correta e economicamente viável. Foi naquele encontro entre um problema crescente e uma solução ainda escassa que surgiu a oportunidade de negócio.

“Começamos a estudar o setor e vimos que era algo promissor. Havia demanda, havia necessidade e percebemos que poucas empresas faziam esse trabalho da forma correta”, relembra Dario.

A descoberta, no entanto, foi apenas o primeiro passo de uma jornada que exigiria aprendizado, planejamento e disposição para ingressar em um segmento completamente diferente daquele ao qual estava acostumado.

Enquanto o sócio trazia a experiência acumulada no setor de tecnologia, Dario vinha do mercado financeiro e da contabilidade, distante da realidade da reciclagem, da logística reversa e da gestão ambiental. “Para mim era um mundo absolutamente novo”, recorda.

Como acontece com milhares de pequenos empreendedores brasileiros, a oportunidade estava identificada, mas era preciso encontrar um caminho seguro para transformá-la em empresa.

Capacitação como ponto de partida

Dario contou com o suporte do Sebrae nos primeiros passos do empreendimento – Foto: Divulgação

Antes de abrir as portas da Desctec, Dario buscou compreender um território que, até então, lhe era completamente novo. A decisão de empreender em um setor ligado à gestão de resíduos eletrônicos exigia mais do que identificar uma oportunidade de mercado, envolvia entender regras ambientais, exigências legais e a própria viabilidade econômica.

Nesse processo, a primeira referência veio do Sebrae, que se tornaria um dos pontos de apoio na construção inicial da empresa. O empreendedor recorda que uma das primeiras bases consultadas foi uma publicação da instituição voltada à criação e estruturação de negócios.

“Quando começamos, tínhamos muitas dúvidas e precisávamos de direcionamento. Uma das primeiras ferramentas que utilizamos foi uma apostila do Sebrae, que nos ajudou a entender melhor o mercado e a organizar os primeiros passos da empresa”, disse.

Com o avanço da operação e a complexidade crescente do setor, o aprendizado deixou de ser apenas teórico e passou a fazer parte da rotina de decisões. Era preciso adaptar, revisar caminhos e, sobretudo, desenvolver uma visão mais ampla sobre gestão e crescimento.

Formado em Contabilidade e Economia e com três pós-graduações, Dario já carregava uma base acadêmica consistente. Ainda assim, foi no campo do comportamento empreendedor que, segundo ele, ocorreu uma das experiências mais transformadoras de sua trajetória.

Entre elas, destaca o Empretec, seminário de formação empreendedora desenvolvido pela ONU e aplicado no Brasil pelo Sebrae.

“É uma experiência que recomendo para qualquer pessoa que deseja empreender. O conhecimento técnico pode ser adquirido com o tempo, mas o desenvolvimento comportamental é algo que faz diferença na prática do dia a dia”, afirma.

A experiência vivenciada por Dario reflete um movimento observado pelo Sebrae entre pequenos empreendedores brasileiros em que a capacitação e o acesso à orientação especializada deixaram de ser etapas complementares e passaram a ocupar papel central na estruturação de novos negócios, especialmente aqueles voltados ao desenvolvimento sustentável.

De acordo com o coordenador do Comitê ESG do Sebrae Goiás, Yasutoki Minomo, a sustentabilidade deixou de ser um tema restrito a grandes corporações e passou a integrar a estratégia dos pequenos negócios, sobretudo em um cenário de mudanças aceleradas no mercado.

“O Sebrae tem trabalhado para transformar a sustentabilidade em uma oportunidade de negócio tangível para os pequenos empreendedores. Nossa atuação se concentra em impulsionar um desenvolvimento sustentável e inovador, por meio de capacitações, consultorias e acesso a mercado”, explica.

Yasutoki Minomo – Coordenador do Comitê ESG do Sebrae Goiás – Foto: Divulgação

Segundo ele, esse movimento já altera a forma como os negócios são concebidos desde a origem. “O interesse vem crescendo de forma consistente. A sustentabilidade não tem mais volta e já está incorporada à estratégia dos pequenos negócios desde os primeiros passos do empreendimento”, afirma.

Os dados reforçam essa leitura. Uma pesquisa nacional do Sebrae em 2025 aponta que 83% dos empreendedores acreditam que práticas sustentáveis não devem se restringir às médias e grandes empresas. Além disso, 93% consideram importantes ações como reciclagem, coleta seletiva e uso consciente de recursos.

Mais do que uma tendência, os números indicam uma mudança gradual na forma de empreender no país, em que sustentabilidade e competitividade passam a operar dentro da mesma lógica de decisão.

Para Minomo, isso também redefine o próprio conceito de eficiência nos pequenos negócios. “A sustentabilidade deixou de ser custo. Hoje ela está diretamente ligada à inovação, à eficiência e à capacidade de competir no mercado regional e global”, completa.

Pequenos negócios lideram a transição para a economia verde no Brasil

Atualmente, o país ocupa a quinta posição no ranking mundial de geração de resíduos eletrônicos – Foto: Ruber Couto

A expansão da economia verde no Brasil revela um movimento estrutural em que os pequenos negócios deixam de ocupar uma posição periférica para assumir protagonismo direto na composição desse novo modelo produtivo. Segundo levantamento do Sebrae, 95,8% das empresas classificadas como verdes no país são micro e pequenos empreendimentos, o que indica que a transição para práticas sustentáveis está concentrada na base do empreendedorismo nacional.

O país já reúne cerca de 1,7 milhão de pequenos negócios verdes, distribuídos em diferentes setores da economia, com predominância de atividades ligadas à economia circular. Serviços e comércio representam juntos 86,1% dessas iniciativas, especialmente em áreas como manutenção, reparo e reuso de equipamentos.

Mais do que um recorte setorial, os dados mostram uma mudança na lógica de produção. Cerca de 79% desses negócios atuam em atividades diretamente relacionadas à extensão da vida útil de produtos, o que consolida a economia circular como eixo estruturante desse novo ciclo econômico.

A distribuição territorial reforça esse avanço de forma desigual, porém contínua. Enquanto grandes centros urbanos concentram o volume absoluto de empresas, regiões como Norte e Centro-Oeste apresentam os maiores índices proporcionais de crescimento, indicando que a economia verde se interioriza e se descentraliza no país.

Goiás cresce acima da média nacional na economia verde

Em Goiás, esse processo se intensifica. Entre 2019 e 2024, o número de pequenos negócios com atividade principal verde cresceu 33,6%, passando de 47.665 para 63.659 empresas, segundo o Panorama do Empreendedorismo Verde no Brasil.

O desempenho coloca o estado entre os principais destaques nacionais e acompanha o crescimento do Centro-Oeste, que avançou 29,6% no mesmo período, acima da média brasileira de 20,4%.

Para Yasutoki Minomo, esse crescimento reflete um reposicionamento dos pequenos negócios dentro da economia.

“Os negócios verdes hoje impactam três dimensões ao mesmo tempo: a econômica, ao gerar inovação e eficiência; a ambiental, ao reduzir impactos e estimular o reaproveitamento de recursos; e a social, ao ampliar inclusão produtiva e geração de renda”, afirma.

O avanço regional comprova essa mudança de cenário. “Goiás está entre os estados que mais avançam porque já incorporou essa lógica de transformação na base do empreendedorismo”, completa o coordenador do Comitê ESG do Sebrae/GO.

O desafio crescente do lixo eletrônico no Brasil

O Brasil já conta com cerca de 1,7 milhão de pequenos negócios verdes – Foto: Ruber Couto

O avanço da economia verde no país convive com um desafio de escala global. O Brasil é hoje o quinto maior produtor de resíduos eletrônicos do mundo, com cerca de 2,4 milhões de toneladas geradas por ano.

Apesar do volume elevado, grande parte desse material ainda não recebe destinação adequada, o que amplia riscos ambientais e sanitários associados à presença de metais pesados e outras substâncias tóxicas.

Segundo Minomo, esse desequilíbrio evidencia uma lacuna estrutural na gestão de resíduos no país.

“O volume de resíduos eletrônicos mostra que ainda existe um descompasso entre geração e destinação adequada. Ao mesmo tempo, isso abre espaço para o fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à logística reversa e à economia circular”, explica.

Economia circular na prática

Desctec transforma a economia circular em ação, gerando renda e reaproveitando materiais – Foto: Ruber Couto

É nesse cenário que iniciativas como a Desctec ganham espaço. Antes de voltar à indústria, cada equipamento percorre um caminho que começa dentro do galpão da empresa. É ali que a economia circular deixa de ser conceito e passa a funcionar como atividade econômica, geração de renda e recuperação de materiais.

Computadores, celulares, televisores, eletrodomésticos e diversos outros equipamentos chegam diariamente à empresa após serem coletados junto a pessoas físicas, empresas, órgãos públicos e grandes geradores de resíduos eletrônicos de Goiânia e da Região Metropolitana. A partir desse momento, inicia-se um processo de triagem que determina o destino de cada item.

Com uma equipe formada por oito colaboradores, a empresa opera diferentes linhas de separação, organizadas de acordo com o tipo de equipamento recebido. Os materiais são classificados conforme porte, composição e vida útil, permitindo um tratamento específico para cada categoria.

Na chamada linha verde, por exemplo, estão computadores, notebooks, tablets, celulares e acessórios de informática, equipamentos de pequeno porte compostos predominantemente por metais e plásticos.

Já a linha marrom reúne televisores, monitores e aparelhos de áudio e vídeo, enquanto a linha branca concentra eletrodomésticos como geladeiras, fogões, máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado.

Há ainda a linha azul, destinada a pequenos eletrodomésticos de uso doméstico, como liquidificadores, cafeteiras, secadores de cabelo e furadeiras.

Após a separação, cada equipamento passa por uma avaliação individual. Aqueles que ainda apresentam condições de uso seguem para processos de reparo, restauração ou remanufatura, permitindo seu retorno ao mercado como produto seminovo.

Os materiais sem possibilidade de reaproveitamento são desmontados e segregados por componentes, como plásticos, metais, cabos, vidro e placas eletrônicas, que posteriormente são encaminhados para recicladores e indústrias especializadas.

O processo inclui ainda a destruição segura de dados armazenados em equipamentos descartados. Dependendo da necessidade do cliente, os dispositivos podem passar por procedimentos de formatação certificada para reutilização ou pela destruição física completa das unidades de armazenamento, garantindo a proteção das informações antes do encaminhamento dos materiais para reciclagem.

Segundo Dario, o objetivo é aproveitar ao máximo o potencial existente em cada equipamento recebido, reduzindo o volume destinado ao descarte e ampliando o retorno dos materiais à cadeia produtiva.

“Estamos constantemente à procura desse tipo de resíduo. Hoje, em Goiânia, somos líderes nesse ramo e nossa empresa é bastante conhecida. Trabalhamos com alguns dos maiores geradores de resíduos eletrônicos da capital e da região”, afirma.

O empreendedor destaca que a lógica da economia circular não se encerra na reciclagem. Para ele, o principal resultado do processo está justamente na capacidade de prolongar a vida útil dos equipamentos e recuperar valor de materiais que, em muitos casos, seriam tratados apenas como lixo.

O desafio começa antes da reciclagem

Em Goiânia, a Desctec é referência no manejo de resíduos eletrônico – Foto: Ruber Couto

Se a economia circular cria caminhos para que equipamentos eletrônicos retornem à cadeia produtiva, o primeiro obstáculo ainda está na forma como esses materiais são descartados pela população.

Em Goiânia, o descarte inadequado de resíduos eletrônicos continua sendo um desafio recorrente. Computadores, televisores, impressoras e eletrodomésticos ainda são encontrados misturados ao lixo comum ou abandonados em calçadas, lotes vagos e pontos de descarte irregular, dificultando a recuperação de materiais que poderiam ser reaproveitados ou reciclados.

De acordo com a gestora ambiental do Consórcio LimpaGyn, Letícia Marcelina Loures, a principal dificuldade está na falta de informação sobre os locais adequados para entrega desses equipamentos e sobre o próprio funcionamento da logística reversa.

“Durante as atividades de educação ambiental, visitas técnicas e contato com a população, observamos que muitas pessoas ainda não sabem onde descartar corretamente equipamentos eletrônicos”, salienta.

Letícia Marcelina – gestora ambiental do Consórcio LimpaGyn – Foto: Divulgação

Segundo ela, além dos impactos visuais causados pelo descarte irregular, os resíduos eletrônicos podem provocar contaminação do solo e da água devido à presença de componentes potencialmente poluentes. Ao mesmo tempo, quando destinados ao lixo comum, deixam de retornar à cadeia produtiva por meio da reciclagem e do reaproveitamento.

“Muitos desses equipamentos possuem componentes que podem ser reaproveitados ou reciclados. Quando são destinados ao lixo comum, ocorre a perda de recursos valiosos que poderiam retornar ao ciclo produtivo”, sublinha.

Uma cadeia que gera oportunidades

A destinação adequada dos resíduos eletrônicos não depende apenas de empresas especializadas ou da conscientização da população. Entre o descarte e o retorno dos materiais à indústria existe uma rede formada por cooperativas, recicladores e prestadores de serviço que ajudam a manter a economia circular em funcionamento.

Em Goiânia, as cooperativas exercem papel estratégico nesse processo ao atuar como pontos de recebimento, triagem e encaminhamento de materiais para empresas licenciadas, ampliando a capacidade de coleta e facilitando o acesso da população aos canais de descarte correto.

Para a presidente da Cooperativa Fênix Carrossel, Lorena Zemir Souza, a participação dessas organizações fortalece toda a cadeia da reciclagem e amplia os benefícios gerados pela gestão adequada dos resíduos eletrônicos.

Lorena Zemir – presidente da Cooperativa Fênix Carrossel – Foto: Divulgação

“As cooperativas são um elo entre a população, o poder público e as empresas responsáveis pela logística reversa. Elas ajudam a ampliar a capilaridade da coleta, facilitam o descarte correto e contribuem para reduzir a quantidade de resíduos eletrônicos destinados inadequadamente ao meio ambiente”, pontua.

Além dos ganhos ambientais, a atividade também gera oportunidades econômicas para pequenos empreendedores e trabalhadores que atuam na recuperação e reaproveitamento de materiais.

Segundo Lorena, o setor oferece espaço para iniciativas ligadas à coleta, logística, recuperação de componentes, manutenção de equipamentos, recondicionamento de eletrônicos e desenvolvimento de soluções voltadas à gestão de resíduos.

“Com capacitação, estrutura adequada e parcerias com empresas de logística reversa, as cooperativas podem agregar valor aos materiais recebidos e ampliar sua participação no mercado da reciclagem”, destaca.

A lógica é a mesma observada na trajetória da Desctec: aquilo que tradicionalmente seria tratado apenas como descarte passa a movimentar uma cadeia produtiva capaz de gerar renda, estimular novos negócios e prolongar a vida útil de materiais que retornam ao mercado ou à indústria.

Do descarte à solidariedade

Projeto arrecada material eletrônico para ser convertido em alimentos, em Goiânia – Foto: Divulgação

Os impactos da economia circular construída em torno dos resíduos eletrônicos não se limitam à preservação ambiental ou à geração de renda ao longo da cadeia produtiva. Em Goiânia, parte desse processo também tem chegado diretamente à mesa de famílias em situação de vulnerabilidade.

Foi dessa percepção que nasceu o projeto “Lixo Eletrônico Contra a Fome”, desenvolvido pela Desctec com o objetivo de transformar resíduos sem utilidade para seus proprietários em alimentos destinados a quem mais precisa.

A iniciativa funciona de maneira simples. Equipamentos eletrônicos sem uso são arrecadados, encaminhados para reciclagem e o valor obtido com os materiais recuperados é convertido na compra de alimentos para famílias e instituições sociais.

Segundo Dario Hernan, a proposta surgiu da intenção de ampliar os impactos positivos gerados pela atividade da empresa, conectando a pauta ambiental a uma necessidade social presente em diversas comunidades.

“Cerca de 95% do material deve ser aproveitado, com placas, metais e plásticos encaminhados para reciclagem. Dessa forma, o descarte adequado contribui para a preservação do meio ambiente, auxilia pessoas em situação de vulnerabilidade e ainda pode gerar empregos. Através dessa iniciativa já entregamos mais de 500 cestas básicas”, explica Ferrari.

O resultado mostra como uma cadeia estruturada de logística reversa pode produzir efeitos que vão além da destinação adequada dos resíduos. O equipamento que deixa de ocupar espaço em uma residência, empresa ou órgão público passa a movimentar uma rede que envolve coleta, triagem, reaproveitamento, reciclagem, geração de renda e, em alguns casos, auxílio direto a famílias em situação de vulnerabilidade.

É nesse contexto que a trajetória da Desctec se insere. A empresa começou justamente onde muitas histórias terminam: no descarte. Um modelo de desenvolvimento que não nasce da abundância de recursos, mas da capacidade de reconhecer potencial onde outros enxergam apenas desperdício.

Ao longo de pouco mais de cinco anos, a empresa tem transformado resíduos eletrônicos em matéria-prima, oportunidades e impacto social. Um processo que evidencia como mudanças econômicas, ambientais e sociais têm aberto espaço para inovação e ampliado o campo de atuação de pequenos empreendedores.

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