Bastidores de Brasília: Notícias do Poder com o jornalista José Marcelo

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Sinal amarelo

É de tensão o clima no Palácio do Planalto, depois da divulgação de mais uma pesquisa Datafolha mostrando que é cada vez maior a possibilidade de haver segundo turno nas eleições presidenciais. Assessores e membros da campanha de Dilma Rousseff, e o próprio marqueteiro João Santana, não apostam mais as fichas em uma vitória, ainda que apertada, no primeiro turno. Entre as primeiras determinações está a exigência da equipe para que a presidente use o clima de euforia da copa para visitar o máximo de cidades e regiões para inaugurar todo tipo de obra possível.

Um dos grandes desafios da equipe é convencer a presidente a fazer aquilo que ela menos gosta: dar entrevistas diárias
Um dos grandes desafios da equipe é convencer a presidente a fazer aquilo que ela menos gosta: dar entrevistas diárias

Fala, Dilma

Um dos grandes desafios da equipe é convencer a presidente a fazer aquilo que ela menos gosta: dar entrevistas diárias, falar com jornalistas, se mostrar aberta e simpática. Seria uma tentativa de minimizar a imagem severa que Dilma cristalizou nos últimos tempos, principalmente depois do desgaste do escândalo da Petrobrás. Mas não é só isso. O estado de depressão que o país parece ter afundado também preocupou a equipe. O desempenho da economia é outro problemão que está no colo da presidente e dos marqueteiros.

Fogo amigo

Tem sido vistas como fogo amigo as declarações do ex-presidente Lula a respeito dos atuais problemas do país. Lula já havia feito insinuações sobre a equipe do governo e no fim de semana, no Sul, falou sobre a preocupação com a inflação. Conhecido pelas metáforas, Lula disse que está preocupado com inflação a 6% ao ano, que o ideal seria 3,5%, mas que entende a situação como a de um paciente febril, que merece cuidados. Soou como puxão de orelha.

E o Mantega?

Até os mais próximos da presidente, no Palácio do Planalto, já se convenceram de que parte do problema foi a manutenção do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no cargo. Mas todos teriam entendido que não dá mais para trocar o ministro, sem causar um estrago ainda maior na imagem do governo. A melhora hora, segundo uma fonte do próprio governo, foi no ano passado, quando Mantega enfrentou um problema sério de saúde na família e poderia ter sido afastado como desculpa para se dedicar ao caso. Agora já era.

Tombini

Outro problema seria a manutenção de Alexandre Tombini, no Banco central. Embora seja competente e funcionário de Carreira, Tombini tem perfil semelhante ao de Mantega. Faltou contraponto, segundo um cientista político e consultor do mercado, em Brasília.

Quanto mais Mantega se desgasta, mais o passe do ex-todo poderoso do banco Central, Henrique Meirelles se valoriza
Quanto mais Mantega se desgasta, mais o passe do ex-todo poderoso do banco Central, Henrique Meirelles se valoriza

Passe de Meirelles

E quanto mais Mantega se desgasta, segundo a mesma fonte, mais o passe do ex-todo poderoso do banco Central, Henrique Meirelles se valoriza. Apesar de o partido dele, o PSD ter dito que fecha com Dilma, ainda existe a chance de ele sair como vice de Aécio Neves, o que seria um golpe para o governo. É que Meirelles levaria para a campanha tucana aquilo que a campanha petista perde a cada dia: a confiança e o brilho nos olhos dos investidores. Muitos desses investidores se sentiram desprestigiados pelo governo nos últimos dois anos. Os mais magoados seriam os que investiram nas obras para a realização da copa do mundo.

Força, Paulinho

Um dos principais defensores de Meirelles como vice de Aécio Neves é o deputado Paulinho da Força Sindical.

Copa das Copas

Por falar em Copa, uma fonte do Palácio do Planalto confessou a este jornalista que o slogan Copa das Copas foi um tiro que pode sair pela culatra. A expressão teria sido cunhada pelo publicitário Nizan Guanaes, levado para uma reunião com a presidente pela então secretária da Comunicação Social, Helena Chagas. O publicitário teria dito quer o Brasil precisava realizar a copa das copas. A presidente gostou da expressão, teria passado a usar como slogan, mas o governo se esqueceu das obras de mobilidade e segurou as parcerias para os aeroportos e o trem-bala, por exemplo. Agora ninguém sabe onde enfiar a maldita frase.

José Marcelo dos Santos é comentarista de Política e Economia e apresentador da edição nacional do Jogo do Poder, pela Rede CNT. É professor universitário de Jornalismo

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