Dilmas, Fittipaldis e malandragens – JOGO LIMPO com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Ex-piloto Emerson Fittipaldi e presidente Dilma Rousseff (Foto: Reprodução)
Ex-piloto Emerson Fittipaldi e presidente Dilma Rousseff (Foto: Reprodução)

Dilmas, Fittipaldis e malandragens

Tem muita gente de queixo caído com as revelações sobre o misto de quebradeira e malandragem de Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula 1. O único a não cair é o nariz do ex-piloto, afinal milionário jamais perde a majestade. Nem mesmo a dívida de R$ 25 milhões e as mais de 60 ações nos tribunais paulistas fizeram Fittipaldi assumir seus erros. “É resultado de um cenário financeiro e político instável que o Brasil inteiro enfrenta”, declarou em nota oficial.

Luxo e ostentação

Conversa mole pra piloto aposentado dormir. A instabilidade financeira de Fittipaldi se arrasta há anos e isso não o impediu de comprar uma mansão nos EUA por R$ 16 milhões em janeiro de 2015. O ex-piloto ainda dispõe de muitos outros bens em solo americano. Ou seja: a culpa da quebradeira é da Dilma, do Cunha, do vizinho, seja de qual brasileiro for, mas nunca de um bicampeão mundial que sempre viveu para ostentar festas luxuosas e gastos exorbitantes em capas de revista e programas de tevê.

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Curva de dívidas

Emerson Fittipaldi é um ídolo incontestável do esporte mundial. Seus títulos na F-1 abriram caminho para as conquistas de Nelson Piquet e Ayrton Senna, consolidando a marca de eficiência e qualidade do automobilismo brasileiro. A título de comparação, o então piloto pisou fundo no acelerador imaginando que a reta principal do autódromo nunca terminasse. Uma curva inesperada resultou em milhões de dívidas com bancos, prefeituras e até postos de gasolina no interior paulista.

Durante a carreira no automobilismo, Fittipaldi colecionou conquistas e prêmios (Foto: Reprodução)
Durante a carreira no automobilismo, Fittipaldi colecionou conquistas e prêmios (Foto: Reprodução)

Traçando destino

Mais do que resposta protocolar e tentativa frustrada de transferir responsabilidade, o quase setentão Fittipaldi dignificaria muito mais a sua família vitoriosa se chamasse os credores e renegociasse todos os débitos. Capital financeiro ainda lhe resta para isso. Seu conceito permaneceria intacto como protagonista da história do milionário famoso que soube enfrentar os percalços da vida e deu a volta por cima.

Cenário de contradições

Algo me diz que Emerson Fittipaldi ainda é do tempo em que assumir culpa rima com fraqueza e humilhação. Aquele tipo de pessoa que prefere trocar o carro importado todo ano, frequentar os melhores salões da sociedade e ao mesmo tempo atrasar o pagamento do salário da empregada e a mensalidade da escola particular do filho. Desejaria estar redondamente enganado, mas o atual cenário político brasileiro tem sido a principal válvula de escape para quem preferiu não rever conceitos e adequar gastos. Existem milhares de Fittipaldis xingando a presidente em manifestações populares. E Dilma já tem a sua própria cruz, pesadíssima e bastante espinhosa, para carregar.

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