Jornalistas agredidos em manifestação de estudantes na UFG é inconcebível

As manifestantes ocuparam prédio da reitoria no final da tarde de quarta (Foto: Reprodução)
As manifestantes ocuparam prédio da reitoria no final da tarde de quarta (Foto: Reprodução)

Deixem a imprensa trabalhar!

Inconcebível ver imagens em que jornalistas de diferentes veículos de comunicação sofrem ameaças e agressões durante manifestação de estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG) na quarta-feira. E o pior: os profissionais estavam no campus para dar visibilidade aos frequentes casos de assédio e violência que estão tirando o sono de alunos, professores e funcionários da instituição. Apenas mais um exemplo da ignorância que toma conta da sociedade em geral.

Desequilíbrio

Era até previsível esperar reação desequilibrada de cidadãos desinformados, mas nunca de formadores de opinião que sabem como funciona a hierarquia da comunicação no país. Partir pra cima de quem empunhava microfone ou tinha nas mãos câmeras e máquinas fotográficas foi de uma estupidez sem tamanho. Os profissionais ali se encontravam porque houve uma falha gritante de interlocução entre a Reitoria da UFG e os estudantes, afinal não é de hoje que reina um clima de total insegurança no campus.

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Exposição

Passa de 100 o número de processos administrativos instaurados para investigação e cerca de 40% são referentes a assédio moral e sexual. Desta forma a suspeita de estupro denunciada por Daniel Bezerra, estudante do curso de Relações Públicas, representou a gota d’água num universo nada favorável para quem frequenta as instalações da instituição. Diante da exposição pública dos fatos, providências foram tomadas e até mesmo o contrato com uma empresa de vigilância armada ganhou agilidade.

Alvo em potencial

Tantos acontecimentos nebulosos e o profissional de imprensa é quem “paga o pato”. Aliás, o repórter de rua “apanha” por qualquer coisa, a começar pelo posicionamento político adotado por seus superiores e até mesmo pela crise econômica do país. Jornalista sempre será um alvo em potencial da direita, da esquerda, do branco, do negro, do Fla e do Flu. Enquanto isso a grande maioria, felizmente, pensa apenas em realizar o seu trabalho da maneira mais digna possível. Não com o salário almejado, é óbvio, mas sem ninguém a incomodá-lo por radicalismos sociais e políticos.

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