Quadrilha que fraudava encaminhamento para UTIs é desfeita em Goiânia

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Samu (Foto: Reprodução)
24 mandados de prisão foram expedidos para quem está envolvido na quadrilha | Foto: Reprodução

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) realizou na manhã desta terça-feira (21) uma operação para combater uma quadrilha que fraudava o encaminhamento de pacientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para Unidades de Terapia Intensiva (UTI), em Goiânia.

Havia situações em que a pessoa tinha o estado agravado para justificar sua internação. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão temporária e 43, de busca e apreensão. Servidores do órgão, médicos e também donos de UTIs estão envolvidos na quadrilha.

Até o fim da manhã desta terça, cerca de 20 pessoas já haviam sido detidas. A operação, denominada de “S.O.S. SAMU”, começou depois que o MP descobriu um esquema de pagamento de propina para alguns funcionários do serviço de resgate para que eles direcionassem os pacientes com planos de saúde para UTIs específicas. O MP ainda não sabe quanto dinheiro foi movimentado com o esquema.

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S.O.S. SAMU

De acordo com o Ministério Público, depois de ser feito o atendimento na unidade móvel, os socorristas contatavam a central de regulação, responsável por controlar o encaminhamento das vagas das UTIs. Os socorristas então encaminhavam os que tinham plano de saúde para unidades particulares.

Assim, as UTIs ficavam cheias de pacientes, garantindo o lucro de médicos e os donos dos leitos. Os subornos eram passados por médicos e proprietários das UTIs por meio de depósitos e até dinheiro em espécie para os que participavam do esquema.

O MP também constatou encaminhamentos de pacientes desnecessários à UTIs, até agravando o estado de saúde das pessoas. O órgão considerou os acontecimentos como “métodos espúrios e perigosos”, assim também como “rebaixamento artificial de consciência do paciente” e até uso de sedativos. Os investigados são suspeitos de crimes como associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.

A Secretaria Municipal de Saúde explicou em uma nota que abriu uma sindicância para apurar os fatos. No comunicado, o órgão reforça que, “caso seja comprovado o envolvimento ilícito de servidores, as devidas medidas administrativas serão tomadas, inclusive com exoneração”.

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