Quebradeira das prefeituras em segundo plano

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Prefeitura de Goiânia não prevê melhora para a crise econômica (Foto: Reprodução)
Prefeitura de Goiânia tem sucessão aberta (Foto: Reprodução)

Quebradeira das prefeituras em segundo plano

Nas rodas políticas o comentário geral é sobre a suposta desistência do ex-governador Iris Rezende em concorrer à Prefeitura de Goiânia – ninguém descarta reviravolta na decisão ou mesmo a divulgação do real motivo que o tirou da disputa. Em Aparecida de Goiânia a pergunta é outra: Maguito Vilela conseguirá fazer de Gustavo Mendanha o seu sucessor? Muitas dúvidas também em Luziânia, Anápolis, Trindade, Goianésia, Rio Verde, Águas Lindas e Jataí, pra citar apenas alguns exemplos.

Problemas de toda ordem

Nomes, muitos nomes preparados para a eleição municipal que se aproxima. É como se o cenário administrativo fosse convidativo, um legítimo céu de brigadeiro para quem sonha com a cadeira de prefeito. A realidade, entretanto, faria o mais calejado político desistir da postulação. Cerca de 80% dos municípios goianos enfrentam um tsunami de problemas, provocados pela queda na arrecadação e ampla dificuldade em reduzir despesas. Os atuais prefeitos, com raríssimas exceções, estão de joelhos dobrados, pires na mão e venda nos olhos.

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Nem o básico é garantido

A realidade de 209 dos 246 gestores, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), é desesperadora. Eles tomaram atitudes, se esforçaram para fazer o dever de casa, mas ainda estão longe do equilíbrio necessário para fechar as contas sem ferir dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). As pendências vão desde atraso na folha de pagamento do funcionalismo, dívida com fornecedores e até mesmo utilização indevida de recursos carimbados da saúde e educação em outras áreas. Um caos completo, comprometendo o funcionamento básico da máquina pública.

Foco está errado

Além da discussão sobre nomes, desistências e favoritismos, o ineditismo da sucessão municipal será acompanhar as propostas dos futuros candidatos em meio ao turbilhão de dívidas e compromissos administrativos elementares, como o pagamento da data-base aos servidores. O grande debate não deveria ser o vai-não-vai de Iris Rezende, o sucessor de Maguito Vilela, o papel de Marconi na eleição ou o interminável embate entre Adib e Jardel em Catalão.

Existe mágica?

O eleitor quer saber mesmo de onde surge tanto entusiasmo de centenas de candidatos para gerir prefeituras quebradas e pautadas pelo negativismo. A perspectiva é que a crise econômica por que passa o país comprometa, no mínimo, os dois primeiros anos dos futuros gestores municipais. O buraco é bem mais embaixo e as vaidades pessoais impedem que o assunto seja debatido como manda o figurino.

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