Maguito Vilela está internado em SP | Foto: Divulgação
Maguito Vilela está internado no Hospital Albert Einstein (SP) desde o dia 27 de outubro | Foto: Divulgação

De acordo com o mais recente boletim médico, Maguito Vilela continua intubado e segue tratamento no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Mas o que isso significa para o tratamento do candidato a prefeito de Goiânia, diagnosticado com covid-19 no dia 20 de outubro e intubado desde o dia 30?

Para entender esse processo, a Folha Z conversou com o médico especialista em anestesiologia Gustavo Kamenach.

Confira:

Anestesista Gustavo Kamenach | Foto: Arquivo Pessoal
Anestesista Gustavo Kamenach | Foto: Arquivo Pessoal

Como é feita a intubação? 

A intubação consiste na inserção de uma cânula ou tubo na traqueia do paciente para que seja possível a ventilação pulmonar, ou seja, fornecer oxigênio para o paciente e eliminar o gás carbônico por meio de respiradores mecânicos.

Pode ser orotraqueal (quando inserimos o tubo pela boca) ou nasotraqueal (quando a inserção é feita por uma das narinas).

É um ato médico, podendo ser feito apenas por profissionais graduados em medicina.

O paciente precisa ser levado ao coma induzido? Esse é o termo certo?

É necessário fazer uma sedação profunda para garantir conforto ao paciente, permitindo que ele não sinta dor e que esteja inconsciente no momento da intubação.

Chamamos essa administração de drogas que conferem analgesia (diminuição da dor) e inconsciência de “indução anestésica”.

O termo coma induzido, embora seja amplamente usado, não é totalmente correto, pois, no coma, estado neurológico em que o paciente está inconsciente, há diferenças na atividade cerebral em relação àqueles que estão mantidos sedados por medicação.

Médicos apontam que Maguito já abre os olhos e responde a estímulos, o que isso quer dizer?

Dispomos de várias medicações que são administradas continuamente para mantermos um paciente intubado.

Algumas para aliviar a dor e o paciente “suportar” o tubo na garganta e outras para mantê-lo inconsciente.

Se o quadro infeccioso do paciente tem melhorado, pode-se gradativamente diminuir a dose dessas medicações e o paciente começa a ter reações a alguns estímulos como, por exemplo, abrir os olhos ou fazer pequenos movimentos.

A intubação e a sedação deixam efeitos colaterais?

Sim, a intubação traqueal pode ocasionar lesões no trato respiratório, principalmente em intubações prolongadas (mais do que 15 dias).

Essas lesões levam a um processo de cicatrização da traqueia, ocasionando a estenose (diminuição do diâmetro da traqueia) e causando desconforto respiratório quando o paciente for extubado.

A sedação tem efeitos colaterais mais imediatos por conta das drogas que utilizamos para manter o paciente sedado, como diminuição da pressão arterial, intoxicação ou reações alérgicas.

Por isso, deve-se respeitar as doses preconizadas e manter-se o monitoramento dos sinais vitais do paciente continuamente a fim de evitar tais eventos.

Quanto tempo, geralmente, um paciente leva para se recuperar de covid-19 e da sedação em circunstâncias semelhantes às de Maguito?

O tempo de internação em unidades de terapia intensiva e em ventilação mecânica gira entorno de 15 dias.

Mas isso é muito variável, devido à ampla manifestação clínica de covid 19 e à reação de cada paciente.

A fisioterapia é necessária nesses casos? 

Quanto maior o tempo de internação em UTI, maior a necessidade de um suporte multiprofissional para o retorno desses pacientes às atividades normais.

Fisioterapia é muito importante para reabilitar a capacidade respiratória desses pacientes e para enfrentar a atrofia muscular que desenvolvem, pois ficam sem atividade por dias durante a internação e os músculos enfraquecem e perdem sua função por isso.

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