Itapaci: ação cobra R$ 20,2 milhões de Mário Macaco e cita Gol e Onix abastecidos com diesel

Prefeitura de Itapaci. O prédio fica na Avenida Municipal, no centro da cidade
Prefeitura de Itapaci. O prédio fica na Avenida Municipal, no centro da cidade
  • Processo tem como base auditoria da atual gestão, que estima prejuízo de R$ 20,2 milhões aos cofres públicos entre 2021 e 2024

A Prefeitura de Itapaci entrou na Justiça para cobrar R$ 20,2 milhões do ex-prefeito Mário José Salles, conhecido como Mário Macaco.

A ação questiona despesas com a frota de veículos do munícipio entre 2021 e 2024 e cita, entre outros pontos, registros de carros flex abastecidos com óleo diesel.

Auditoria aponta aumento nos custos da frota

A Ação Civil Pública tem como base relatório contábil produzido por auditoria contratada pela Prefeitura de Itapaci para analisar despesas relacionadas à frota entre 2021 e 2024.

O período corresponde ao 2º mandato do ex-prefeito Mário José Salles, conhecido como Mário Macaco.

Segundo a petição inicial, o município desembolsou R$ 59.004.220,51 com despesas relacionadas à frota durante o período analisado.

De acordo com os dados apresentados na ação, o número de veículos passou de 110 para 130 unidades, crescimento de 18,18%.

No mesmo intervalo, as despesas apontadas na auditoria aumentaram 156,07%.

Com base nesses números, o município afirma que o custo médio anual por veículo teria passado de aproximadamente R$ 34 mil, em 2021, para R$ 87 mil, em 2024.

Mário Macaco, ex-prefeito de Itapaci | Foto: Reprodução

Ação cita registros de diesel em veículos flex

Entre os apontamentos apresentados pelo município estão registros de abastecimento considerados incompatíveis com a motorização de alguns veículos.

A petição cita, como exemplos, modelos como Volkswagen Gol e Chevrolet Onix, classificados como veículos flex ou movidos a gasolina, que aparecem em registros de abastecimento com óleo diesel.

A documentação apresentada ao Judiciário também menciona a possibilidade de erro material de classificação.

Além dos abastecimentos, a auditoria apontou outros pontos que, segundo a Prefeitura de Itapaci, precisam ser esclarecidos:

  • Rotas e quilometragem: ausência de registros de rotas e de acompanhamento sistemático da quilometragem dos veículos;

  • Identificação das despesas: registros de pagamentos de combustíveis e lubrificantes sem a identificação dos respectivos veículos;

  • Filtros e lubrificantes: aquisição de insumos em volumes que, segundo a análise apresentada, não seriam compatíveis com a utilização registrada;

  • Documentação: apontamento de ausência de padronização documental em 76% dos processos analisados.

Os percentuais e valores são os apresentados pela Prefeitura de Itapaci na ação judicial e constam da documentação que acompanha a petição.

Sobre Mário Macaco, o município cita a assinatura e a aprovação de licitações e Atas de Registro de Preços relacionadas às despesas investigadas.

Entre elas está o Pregão Presencial nº 32/2023.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os citados têm direito à defesa.

Prefeitura de Itapaci pede ressarcimento e indisponibilidade de bens

Na Justiça, a Prefeitura de Itapaci, através do prefeito Fábio Oliveira, pede o ressarcimento de R$ 20,2 milhões.

O município também solicita a aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade e, em caráter liminar, o bloqueio de valores e de bens dos réus.

Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça.

Prefeito Fábio Oliveira. Imagem registrada pela equipe do prefeito

Prefeito Fábio Oliveira. Imagem registrada pela equipe do prefeito

Defesa de Mário Macaco

Mário Macaco apresentou defesa e pediu que a ação seja julgada improcedente.

Segundo os argumentos apresentados, não há comprovação de dolo ou de uma conduta direta do ex-prefeito que tenha causado eventual prejuízo aos cofres públicos.

Os advogados também contestam o valor de R$ 20,2 milhões e pedem a realização de perícias para apurar os números apresentados na ação.

A defesa ainda questiona a ausência de outros servidores que participaram dos procedimentos analisados.

A Folha Z acompanha o caso e seguirá apurando os desdobramentos na Justiça.

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