Vitor Hugo, Fabrício Rosa e Sanches questionam mudança no sistema eleitoral

Major Vitor Hugo, Fabrício Rosa e Sanches da Federal
Major Vitor Hugo, Fabrício Rosa e Sanches da Federal | Foto: Reprodução

Um foi eleito com poucos votos, outro teve votação expressiva e ficou na suplência; entenda por que questionam a mudança


Vereadores de PT, PL e PP questionam a proposta de substituir o sistema proporcional pelo voto distrital misto.

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Em entrevista à Folha Z, Major Vitor Hugo (PL), Fabrício Rosa (PT) e Sanches da Federal (PP) defendem a manutenção do modelo atual e cobram mais tempo para discutir a mudança.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende a implantação do voto distrital misto ainda em 2026, antes da posse dos deputados federais eleitos neste ano.

À Folha Z, os 3 parlamentares apontaram experiências nas urnas e apresentaram ressalvas à proposta.

Apesar das diferenças partidárias, eles convergem na defesa de um debate mais amplo antes de qualquer alteração.

Vitor Hugo vê risco de deputado federal virar “vereador federal”

O vereador e deputado federal eleito Major Vitor Hugo (PL) foi o 1° entrevistado pela Folha Z.

Em 2026, ele recebeu 104.378 votos.

O parlamentar também conhece os efeitos do sistema proporcional: em 2018, conquistou vaga na Câmara dos Deputados com 31.190 votos, impulsionado pelo desempenho eleitoral de Delegado Waldir, que ajudou o partido a eleger mais representantes.

Vitor Hugo defende cautela e questiona a tentativa de mudar as regras eleitorais ainda neste momento.

Para ele, decisão com impacto sobre o futuro da representação política no país exige mais discussão, especialmente sem a participação de deputados que assumirão a próxima legislatura.

O liberal também aponta risco no voto distrital misto: limitar a atuação dos deputados federais às demandas de determinadas regiões, em prejuízo das discussões de interesse nacional.

Fabrício Rosa também questiona a mudança

O vereador e deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT) também rejeita a proposta de mudança no sistema eleitoral.

Em 2026, o petista conquistou 81.540 votos e ficou em 2° lugar entre os deputados estaduais eleitos mais votados de Goiás.

Apesar do desempenho expressivo, ele já enfrentou uma situação diferente nas urnas pelo sistema proporcional.

Em 2020, Rosa foi o 14º candidato a vereador mais votado de Goiânia, com 4.299 votos, mas ficou fora da Câmara Municipal porque o PSOL, partido ao qual era filiado na época, não alcançou o quociente eleitoral necessário para conquistar cadeira.

O petista defende reforma política, mas não considera a substituição do sistema proporcional prioridade.

Ele também questiona a condução do debate no Congresso e aponta o risco de o novo modelo ampliar a influência do poder econômico nas eleições.

Rosa ainda argumenta que o sistema atual preserva a importância dos programas partidários e permite que o eleitor escolha representantes alinhados a determinadas propostas políticas.

Sanches teve 68 mil votos e ficou na suplência

Sanches da Federal (PP) também conhece os 2 lados do sistema proporcional: conquistou cadeira na Câmara de Goiânia com votação modesta, mas ficou na suplência na disputa por vaga na Câmara dos Deputados, mesmo com mais de 68 mil votos.

Em 2024, o progressista foi eleito vereador com 3.607 votos, a menor votação entre os eleitos da capital.

Ele atribui o resultado ao desempenho coletivo do partido, que garantiu duas cadeiras na Câmara.

Já em 2026, recebeu 68.229 votos na disputa federal, mais do que os 43.643 votos de Fábio Sousa (PL), que conquistou vaga.

Apesar disso, Sanches não conseguiu se eleger.

O vereador reconhece o peso das legendas na distribuição das cadeiras e defende que o desempenho coletivo dos partidos continue sendo considerado na eleição de representantes.

Sanches também recebeu o apoio do deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), que obteve 3.119.318 votos e foi o mais votado do Brasil em 2026.

O caso do parlamentar mineiro está entre os exemplos citados por críticos do sistema proporcional, que questionam a transferência de votos entre candidatos da mesma legenda.

Sanches, por sua vez, argumenta que os votos de candidatos com grande votação não devem ser desperdiçados.

Ele defende, porém, o cumprimento dos requisitos mínimos para que o desempenho de um partido não resulte na eleição de candidatos com votação muito baixa.


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